Autofecundação

Por Rafaela Couto de Rezende

Graduada em Ciências Biológicas (UNISUAM, 2010)
Graduada em Zootecnia (FAGRAM, 2006)

Categorias: Reprodução
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A reprodução é a principal característica dos seres vivos, é por meio dela que a vida tem se perpetuado em nosso planeta, desde a sua origem. A reprodução pode ser assexuada ou sexuada. Um dos tipos de reprodução sexuada é a autofecundação, que é um processo que acontece quando o gameta feminino (óvulo) e o gameta masculino (espermatozoide ou pólen, no caso dos vegetais) são produzidos pelo mesmo organismo de um mesmo ser vivo (se verifica naturalmente em vegetais). Os seres vivos que possuem os gametas masculino e feminino são chamados de hermafroditas. Na reprodução por autofecundação não ocorre troca de gametas entre indivíduos. É o cruzamento do indivíduo com ele próprio. Como característica deste mecanismo reprodutivo, há a ocorrência de um grau muito intenso de endogamia, ou seja, a descendência possuirá alto grau de parentesco entre si e seus genitores. Tal fato pode ser observado nos vegetais que possuem flores completas, naqueles que apresentam órgãos masculinos e femininos juntos, como amendoim, tomate, feijão. A compreensão deste mecanismo proporciona sua aplicação em diversos programas de melhoramento genético, para obter linhagens de indivíduos com melhor e maior uniformidade.

Em algumas espécies de plantas, existem mecanismos bioquímicos que evitam a autofecundação. Algumas criam barreiras entre os sistemas reprodutivos femininos e masculinos, como por exemplo, os órgãos reprodutivos que podem amadurecer em épocas diferentes (dicogamia) ou barreira física, como a localização dos órgãos sexuais que não permitem a aproximação dos gametas femininos e masculinos (hercogamia). A soja possui um mecanismo chamado de cleistogamia, onde a fecundação acontece antes da abertura da flor, assim, evita o contato com o pólen que venha de outro vegetal.

No reino animal, é bastante rara a ocorrência de espécies que possuem a característica de autofecundação. No entanto, temos exemplos de vermes hermafroditas - como minhocas e tênias - que possuem os dois sistemas reprodutivos. Nas minhocas não há a ocorrência da autofecundação, havendo a necessidade de duas minhocas para a realização de fecundação cruzada. Elas são conhecidas como hermafroditas dióicas.

No caso das tênias não existe a necessidade de termos dois indivíduos para que ocorra a reprodução. Elas podem realizar autofecundação autenticamente e por isso podem ser classificadas como hermafroditas monóicas. Cada proglote (que é o nome dado ao segmento do corpo das tênias) possui os órgãos reprodutores femininos e masculinos, e, com isso, os espermatozóides de uma proglote podem fecundar os óvulos de outra proglote. Desta maneira, após a fecundação, estas proglotes irão ser preenchidas por ovos e as proglotes ‘grávidas’ serão liberadas nas fezes do hospedeiro.

A autofecundação produz linhagens puras, priorizando as características que se pretende evidenciar. Linhagens puras são organismos que tenderão sempre a apresentar as mesmas características após a autofecundação, isto é, as características não irão variar ao longo das gerações.

Referencias Bibliográficas:

http://www.uenf.br/Uenf/Downloads/LMGV_5208_1309964623.pdf

http://www.ufjf.br/cursinho/files/2013/05/Apostila-Gen%C3%A9tica-111-169.pdf

http://arquivo.ufv.br/dbg/gbolhtm/gbol9.htm

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