Cientista brasileiro descobre nova doença na Amazônia

02/12/2020 - 19h54 - Por Karoline Figueiredo

O bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Salatiel Ribeiro Dias, é formado em Biotecnologia e durante seu mestrado em Biociências, participou da pesquisa que constatou na Amazônia, uma infecção nunca antes relatada. O seu trabalho resultou em um Artigo publicado na Revista Doenças Infecciosas Emergentes - periódico mantido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos.

Salatiel explicou como sua pesquisa pode contribuir para a melhoria de vida às pessoas, em entrevista à Capes. "É um trabalho relevante para a região amazônica, visto que ainda não haviam casos descritos deste tipo de riquetsiose, a infecção causada pelo Rickettsia typhi. E como a área sofre com a dificuldade no acesso à saúde, é importante o enfoque em relação ao monitoramento da região quanto a presença desta doença", relatou.

"O trabalho inicial foi um relato de caso, seguido de investigação epidemiológica na área onde foi identificada a doença. Agora estamos estudando diferentes espécies de animais silvestres em áreas de floresta amazônica, coletando amostras dos próprios animais e seus ectoparasitas, para tentar descobrir qual o reservatório silvestre dessa doença e identificar o vetor responsável pela transmissão", explicou o cientista.

Salatiel também falou sobre seu Artigo publicado. "Em resumo, o trabalho mostrou que um homem de 37 anos apresentou febre, calafrios, dor de cabeça, mal-estar e tosse - associada à dificuldade respiratória - 10 dias depois de encontrar um carrapato preso à sua coxa direita. O caso ocorreu durante suas atividades de monitoramento herpetológico ao ar livre, na Floresta Nacional Saracá-Taquera, no estado do Pará. Após o sintomas, ele foi internado, foram feitos testes sorológicos e o resultado deu positivo para a infecção por Rickettsia typhi,doença até então não descrita na Amazônia brasileira. Porém, o paciente apresentou sorologia negativa para outras espécies de Rickettsia", esclareceu.

"Até o momento, não existe evidência no mundo de que a Rickettsia typhi seja transmitida por carrapatos. Em todas as amostras testadas, não encontramos nenhum vestígio de DNA de Rickettsia typhi, outro fator que sugere que a picada não teve relação com a doença. No entanto, do ponto de vista clínico, a picada do carrapato levou ao tratamento com antibiótico adequado que recuperou o paciente", concluiu Salietel.

Para mais informações acesse o portal Capes.