UNICEF: uma em cada cinco crianças no mundo não tem água suficiente para atender suas necessidades diárias

24/03/2021 - 14h04 - Por Karoline Figueiredo

A Organização das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publicou o relatório Water Security for All ( Segurança Hídrica para Todos) - que trata de áreas onde a população ou determinado grupo de pessoas convivem diariamente com a escassez de água.

De acordo com a nova análise divulgada pela UNICEF, mais de 1,42 bilhão de pessoas no mundo, incluindo 450 milhões de crianças, vivem em áreas de vulnerabilidade hídrica alta ou extremamente alta. O texto mostra ainda que, uma em cada cinco crianças no mundo não tem água suficiente para atender às suas necessidades diárias.

Os habitantes desses locais dependem de água de superfície, pontos de águas não melhorados ou pontos de águas localizados a mais de 30 minutos de suas casas.

Os dados revelam que crianças de mais de 80 países vivem em áreas com vulnerabilidade hídrica alta ou extremamente alta. A região da África Oriental e Meridional tem a maior proporção de crianças que enfrentam essa dificuldade, sendo 58%; em seguida a África Ocidental e Oriental com 31%; a Ásia Meridional com 25%; e Oriente Médio, 23%.

A análise constatou que, em 37 países a situação é especialmente grave em relação a escassez de água. Considerando o número absoluto e a proporção de crianças afetadas pelo problema, essas localidades precisam urgentemente de mobilização de recursos, apoio e ação da comunidade internacional. Entre os países estão Afeganistão, Burkina, Faso, Etiópia, Haiti, Lêmen, Níger, Nigéria, Papua Nova Guiné, Paquistão, Quênia, Sudão, Tanzânia e outros.

O UNICEF por meio da iniciativa Water Security for All, mobilizará recursos, parcerias, inovação e resposta global para os lugares identificados como mais vulneráveis - onde a necessidade de água, saneamento e serviços de higiene sejam mais urgentes.

No Brasil, atualmente, os serviços básicos de água, esgoto e higiene não estão garantidos em grande parte do país, agravando ainda mais com a pandemia por Covid-19. Segundo Dados do Programa de Monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do UNICEF para Saneamento e Higiene (JMP), mostram que 15 milhões de brasileiros de áreas urbanas não possuem acesso à água tratada. Nas áreas rurais, 25 milhões têm acesso a um nível básico desses serviços, e 2,3 milhões utilizam fontes de água não seguras para o consumo humanos e higiene pessoal e doméstica.

"A crise mundial de água não está simplesmente chegando, ela está aqui, e as mudanças climáticas só vão piorá-la. As crianças são as maiores vítimas. Quando os poços secam, são as crianças que faltam à escola para ir buscar água. Quando as secas diminuem o fornecimento de alimentos, são as crianças que sofrem de desnutrição e baixo peso. Quando as cheias chegam, as crianças adoecem devido a doenças transmitidas pela água. e quando os recursos hídricos diminuem, as crianças não conseguem lavar as mãos para combater as doenças", declarou a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

Confira os demais dados da pesquisa e demais informações no portal UNICEF.