Monocultura de Exportação

Por Emerson Santiago
Recebe o nome de monocultura de exportação ou plantation, o sistema de exploração agrícola que se concentra em apenas uma cultura, a qual é destinada a mercados exteriores. Tal sistema marcou a economia do continente americano por séculos, sendo aplicado à exaustão durante a colonização europeia, e mais tarde foi levado para África e Ásia. Hoje, é prática típica de países subdesenvolvidos. O modelo agrário-exportador modificou indelevelmente a organização do espaço rural latino-americano, pois a vegetação natural foi, em várias regiões, substituída por imensos latifúndios, que ainda hoje se destacam nas paisagens de muitos países.

A monocultura de exportação está presente no Brasil desde o século XVI, quando os portugueses desenvolveram a produção açucareira ao longo da faixa litorânea do nordeste, aproveitando os solos férteis de massapé. Já na América espanhola, a agricultura ganhou impulso entre os séculos XVII e XVIII, com a queda da produção mineral, em especial no Peru.

A implantação da monocultura de exportação depende de uma extensa propriedade, onde será cultivado um único gênero, cujo destino é a exportação, já que o mercado interno é incipiente ou saturado. Para o dono das terras, é uma forma rápida de obter o retorno de seu investimento. Por outro lado, a comunidade em seu entorno fica dependente da produção dessa grande propriedade. Outros gêneros que poderiam gerar trocas regionais são descartados para se plantar o lucrativo gênero de exportação e os empregos acabam todos ligados e dependentes do sucesso dessa mesma cultura.

A longo prazo, ao trocar os dividendos da lavoura por outros bens, todos aqueles dedicados à monocultura gradativamente perdem seu poder aquisitivo, devido à uma provável saturação que a monocultura de exportação acaba por provocar.

Apesar de ser considerado notoriamente ineficaz nos dias de hoje, economias frágeis ainda se valem deste sistema, contando com mão-de-obra assalariada ou utilizando até mesmo trabalho escravo ilegal. No Brasil, a monocultura de exportação é aplicada em vastas porções do território nacional, principalmente para cultivo de café, cana-de-açúcar, e mais recentemente, de soja.

Todas essas características negativas não significam propriamente que a monocultura de exportação foi sempre um método arcaico e danoso. Talvez a reflexão mais lúcida que se possa realizar sobre esta prática é de que ela teve seu tempo e local, e não se encaixa no mundo contemporâneo, especialmente se levarmos em conta que hoje é cada vez mais importante a utilização de terras cultiváveis para a produção de alimentos de natureza essencial, para que se possa prover a imensa população do planeta, que já ultrapassa os sete bilhões.

Bibliografia:
? Laura; ? Andressa. Monoculturas De Exportação e Exploração Da Terra. Disponível em: < http://lauressa.blogspot.com.br/ >. Acesso: junho de 2013.