Sibéria

Por Felipe Araújo
Povos datados antes da era cristã estão entre os formadores da Sibéria. São eles os citas e os xiongnu, duas civilizações nômades de extrema importância para a formação da região. Ao sul do território siberiano, a região de estepes presenciou diversos impérios nômades se sucedendo, entre eles o Império Mongol e o Turco. Neste panorama, o budismo lamaísta foi expandido, no fim da Idade Média, nas áreas localizadas ao sul do Baikal, considerado o maior lago de água doce da Ásia.

Entre os séculos XVI e XVII, os russos chegaram nesta região e mudaram os rumos da história do local. De acordo com alguns historiadores, a chegada dos russos à Sibéria aconteceu na mesma época que os europeus chegaram ao continente americano. No período imperial da história da Rússia, a Sibéria era uma região agrícola utilizada para exilar alguns cidadãos, entre eles encontravam-se Dostoievski, autor do célebre Crime e Castigo, Avvakum e os Dezembristas, responsáveis por um levante militar dos membros da alta nobreza.

No século XIX ocorreu uma das construções mais emblemáticas da Sibéria. Naquela época, foi iniciada a Ferrovia Transiberiana, que faz a conexão entre a Rússia Europeia e outras províncias do extremo oriente do país. Neste mesmo período, ocorreu a industrialização e foram descobertos diversos recursos minerais na área.

Na Sibéria, além da construção da ferrovia, diversos outros aspectos chamam a atenção por tratarem de maneira diferente alguns ritos tradicionais. Um exemplo são os rituais funerários, sendo que o clima do lugar impedia que fossem abertas campas no solo congelado e encharcado. Desta forma, algumas culturas da Sibéria não enterravam os falecidos. Em vez de escavar a terra, povos como os chukchis e os koryaques faziam a prática da dissecação.

No caso dos yukaghires, os corpos dos mortos eram desmembrados e, após as partes secarem, eram entregues aos familiares mais próximos. Tais partes dos corpos ganhavam o apelido de “avós” e tinham uma função de proteção. Na cultura dos kamchadales, um ponto priorizado era o transporte que os mortos precisariam no além. Por isso, eles davam os defuntos para os cachorros comerem. Assim, os mortos já teriam uma matilha que lhe puxasse os trenós após a morte.

Este tipo de costume fez com que os russos, acostumados aos ritos tradicionais do cristianismo, denominassem estes povos de bárbaros. Nesta mesma época, os povos da região ocidental da Europa viam o czar e os seus súditos da mesma forma. Entretanto, os cossacos, nativos das estepes de regiões do sudeste da Europa, não desprezaram os conhecimentos acumulados pelos siberianos, passados de geração em geração no que se refere a soluções para sobreviver em climas extremamente frios e sem recursos. Alguns hábitos dos siberianos, principalmente na alimentação, são utilizados até hoje.

Fontes:
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/2005/03/02/001.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sib%C3%A9ria
http://oglobo.globo.com/ciencia/estudo-genetico-vincula-siberianos-povos-das-americas-3626176