Cóclea

Mestre em Ciências Biológicas (Universidade de Aveiro-SP, 2013)
Graduada em Biologia (Universidade Santa Cecília-SP, 2003)

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Órgão presente na orelha interna, a cóclea é responsável pela transformação dos sinais acústicos em sinais neurais. É um canal espiral ósseo que está dividido que possui uma forma que lembra a concha de um caracol, localizado no interior do osso temporal (estrutura óssea densa, altamente mineralizada e de acesso difícil).

Localização da cóclea dentro do ouvido interno. Ilustração: Alexilus / Shutterstock.com

É constituída por um labirinto ósseo, que possui em seu interior uma estrutura celular chamada de labirinto membranoso: a cápsula ótica, o limite ósseo externo da cóclea e o modíolo (tubo ósseo do eixo central da cóclea). Em forma de espiral, o labirinto ósseo possui três micro compartimentos (escalas) que são preenchidos por um líquido e separados por uma membrana (partição coclear):

  1. A escala vestibular, o compartimento apical está separado da escala média pela membrana de Reissner.
  2. A escala média, separada da escala timpânica pela membrana espiral basilar e pela lâmina espiral óssea, encontram-se as células do órgão de Corti: o órgão da audição, distingue os sons agudos e graves.
  3. A escala timpânica encontra-se na janela redonda, base da cóclea. É recoberta por uma fina membrana sobre a cápsula ótica.

As escalas, timpânica e vestibular estão conectadas por uma pequena abertura no ápice da cóclea denominada de helicotrema, formando um sistema hidrodinâmico. Esse espaço, chamado de perilinfático, é preenchido pela perilinfa, um líquido rico em sódio, já o espaço chamado endolinfático é da escala média e é constituído por um líquido rico em potássio (endolinfa). Os movimentos vindos da perilinfa percorrem as escalas timpânica e vestibular em direção à escala média, através da membrana basilar e endolinfa. Existe uma variação da pressão na membrana basilar, onde é direcionada num movimento para baixo e para cima, o que gera frequências de vibração em tons mais graves ou mais agudos. São esses movimentos da membrana basiliar que provocam um estímulo no órgão de Corti – formado por aproximadamente 20.000 células ciliadas externas, célula ciliada interna e células de suporte, que estão sobre a membrana basilar – que determinará qual parte é ativada e que transformará os estímulos em impulsos elétricos que serão levados, através do nervo auditivo, para o encéfalo que fará a interpretação dos sons ouvidos.

A cóclea apresenta dois sistemas de inervação:

  • Sistema aferente (cinza) – é constituído por dois tipos de fibras que inervam as células ciliadas internas e externas: fibra aferente do tipo I e tipo II. Os dois tipos são conectados às células ganglionares, contudo a tipo I apresenta a bainha de mielina e a tipo II não é mielinizada.
  • Sistema aferente (preta) – inerva as células ciliadas internas (em sua maioria) e externas pelo túnel de Corti.

As células ciliadas internas apresentam a função sensorial, uma vez que a maior parte das fibras aferentes realizam as sinapses com ela. Já as células ciliadas externas, apesar de conduzir também os estímulos, fazem uma modificação das propriedades mecânicas da membrana basilar e do órgão Corti.

Referências:

RUI, L. R.; STEFFANI, M. H. Um recurso didático para ensino de física, biologia e música. Encontro Estadual de Ensino de Física (1.: 2005 nov. 24-26: Porto Alegre, RS). Atas. Porto Alegre: Instituto de Física-UFRGS, 2006.

SAMPAIO, A. L. L.; DE OLIVEIRA, C. A. C. P. Estrutura e ultra-estrutura da orelha interna dos mamíferos com ênfase na cóclea. Arq Int Otorrinolaringol, v. 10, n. 3, p. 228-240, 2006.

TORTORA, G. J.; GRABOWSKI, S. R. Corpo humano: fundamentos de Anatomia e Fisiologia. 6. Ed. Porto alegre: Artmed, 2006.

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