Cóclea

A cóclea, também denominada caracol, é uma estrutura altamente especializada como órgão receptor de sons. Possui o formato de um canal, com paredes ósseas, enrolado em forma de caracol, com aproximadamente 35 mm de extensão. Dentro, e ocupando apenas parte do canal ósseo, observa-se a porção membranosa, que adquire forma triangular quando vista em corte transversal. Uma das faces desse triângulo apóia-se sobre tecido ósseo.

Localização da cóclea dentro do ouvido interno. Ilustração: Alexilus / Shutterstock.com [adaptado]

Localização da cóclea dentro do ouvido interno. Ilustração: Alexilus / Shutterstock.com [adaptado]

A cóclea enrola-se em torno de um cone de tecido ósseo esponjoso denominado modíolo, que contém em seu interior um gânglio nervoso, que recebe o nome de gânglio espiral. Do modíolo parte lateralmente uma saliência óssea em espiral, que possui ligeira semelhança com a rosca de um parafuso, chamada de lâmina espiral óssea.

O estudo da secção transversal de uma cóclea revela que a sua porção membranosa tem, em corte, forma de triângulo, com um dos lados apoiados sobre a lâmina espiral óssea e o vértice apontado para o modíolo. A base desse triângulo liga-se à parede óssea da cóclea, dando origem a uma região com células diferenciadas, chamada de estria vascular. O lado superior do triângulo é composto pela membrana vestibular (ou Reissner) e o lado inferior, pela lâmina espiral membranosa. Esta lâmina espiral apresenta uma complexa estrutura histológica e é nela que se encontra o órgão de Corti, que possui as células receptoras da audição.

O triângulo descrito divide o espaço ósseo da cóclea em três regiões:

  • Uma parte superior, chamada de escala vestibular (abre-se no vestíbulo);
  • Uma parte média, denominada de escala média ou ducto coclear;
  • Uma parte inferior, chamada de escala timpânica (comunica-se através da janela redonda com o ouvido médio ou cavidade timpânica).

As escalas vestibular e timpânica, que formam o labirinto ósseo, encontram-se cheias de perilinfa e se comunicam nas extremidades através de um pequeno orifício, a helicotrema. Já a escala média, na sua porção inicial, comunica-se com o sácuolo pelo ducto reuniens e termina em fundo cego.

A membrana vestibular é revestida por epitélio pavimentoso simples e delgada (tecido conjuntivo).

A estria vascular é constituída por epitélio estratificado, formado por dois tipos principais de células. Um deles é constituído por células ricas em mitocôndrias, com a membrana da região basal muito pregueada, tendo, portanto, todas as características de uma célula que transporta água e íons. O epitélio da estria vascular é um dos poucos exemplos de epitélio que possui vasos sanguíneos entre as suas células. Essas características sugerem que a secreção da endolinfa ocorra nessa região.

No órgão de Corti é que se encontram as sensíveis às vibrações induzidas pelas ondas sonoras.  Este órgão repousa sobre uma camada de material extracelular, a membrana basilar, produzida pelas células do órgão de Corti e pelas células mesoteliais que revestem a escala timpânica. A lâmina espiral membranosa estende-se em direção lateral, fundindo-se com o tecido conjuntivo do periósteo que encontra-se abaixo da estria vascular, formando uma região chamada de crista espiral. Há também a formação de um limbo espiral, formado por tecido conjuntivo frouxo revestido por epitélio de onde parte a membrana tectórica (rica em glicoproteína). Esta membrana orienta-se em direção horizontal, tomando contato com as células sensoriais do órgão de Corti e limitando um espaço, o túnel espiral interno. Na parede lateral desse túnel, encontra-se uma camada de células sensoriais internas. Após o túnel, observa-se uma série de células de sustentação, formando as células pilares e, finalmente, três fileiras de células sensoriais externas.

Na cóclea, os estímulos mecânicos (vibrações induzidas pelas ondas sonoras) sofrem transdução em potenciais de ação (fenômenos elétricos), que são levados ao sistema nervoso central através do nervo coclear. O som é transformado em vibrações pela membrana timpânica e transmitido através da cadeia de ossículos até a janela oval. O tímpano vibra com as ondas sonoras; os ossículos do ouvido funcionam como alavancas, as quais transformam as vibrações da membrana timpânica em deslocamentos mecânicos, que são exercidos pelo estribo e janela oval na perilinfa da escala vestibular. Quando os músculos tensores do tímpano e do estribo se contraem, ocorre tração desses ossículos, com redução na transmissão do som.

As vibrações que chegam à perilinfa da escala vestibular são transmitidas à escala média, passando à escala timpânica e dissipam-se na janela redonda.

Na cóclea, a sensibilidade aos sons varia de acordo com a região. Os sons agudos são captados principalmente na base da cóclea, ao passo que os sons mais graves são captados principalmente pelo seu ápice.

Fontes:
http://telecom.inescn.pt/research/audio/cienciaviva/principio_aaudicao.html
http://www.cabuloso.com/Anatomia-Humana/Sistema-Sensorial/Audicao.htm
http://www.xtec.cat/~cllombar/espanol/oida/oida.htm
Histologia Básica – Luiz C. Junqueira e José Carneiro. Editora Guanabara Koogan S.A. (10° Ed), 2004.

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