Homero

Por Ana Lucia Santana
Pouco se sabe sobre a vida e até mesmo a real existência Homero, poeta grego, mas pode-se afirmar que seu significado para o povo grego é considerável, pois ele simboliza para esta civilização o autor não só da Ilíada e da Odisséia, os maiores clássicos da literatura universal de todos os tempos, mas principalmente da própria identidade cultural e da unidade de todos os habitantes do continente ático, do Peloponeso e das ilhas do Mar Egeu onde se praticava o idioma grego.

Alguns afirmam que ele teria pertencido ao século VIII a.C., época que corresponde ao renascimento da escrita na Grécia, mas na verdade é difícil precisar quando ele teria realmente vivido, ou mesmo em que local. Antigas lendas o descrevem como um aedo - cantores que contavam as histórias heróicas de um povo, sempre acompanhados por um instrumento musical comum entre os gregos antigos, o forminx -, pobre e cego, vagando aqui e ali, agraciando seus anfitriões com a narração de seus versos. Ele teria o hábito de perambular pelas cortes e pelos espaços públicos das cidades desta época, descrevendo os atos heróicos dos aqueus, ancestrais dos gregos.

Suas obras legaram à posteridade os relatos sobre as guerras empreendidas por bravos guerreiros para a conquista de Ílion, narradas na Ilíada, e os acontecimentos posteriores, como o destino de Odisseu e de seus companheiros no retorno para casa, contados na Odisséia, no estilo épico, celebrizado por este poeta.

Até nossos dias surgiram já inúmeras teses sobre a existência ou não de Homero, bem como sobre a autoria dos dois poemas. Para Zenão e Helânico, Gramáticos Alexandrinos, era impossível ele ser o autor das duas obras, pois tudo indicava que a Odisséia era pelo menos dois séculos mais velha que a Ilíada. Eles eram conhecidos como Kho-rizontes, expressão que tinha o significado de ‘separatistas’.

Posteriormente, Aristerco declarou que ambas eram do mesmo autor, apenas haveria nos dois poemas trechos adicionais, acrescentados depois por outros poetas; por exemplo, na Ilíada seriam inserções a luta entre Menelau e Páris, a narrativa da cólera de Melagrosso, entre outras. O poema original seria chamado de Proto-Ilíada, esta sim da autoria de Homero. Esta tese foi acolhida com maior receptividade pelos estudiosos e pesquisadores da obra deste poeta.

Portanto, pode-se dizer que há três teses principais – a dos dois poemas serem da autoria de Homero; a outra de que apenas a Ilíada pertence a ele; e finalmente a de que ele criou as duas obras, mas estas detinham dimensões reduzidas, recebendo depois novos acréscimos. No século XVIII outra teoria, gerada por François d'Aubignac, Giambattista Vico e Friedrich August Wolf, defende que Homero seria um personagem fictício, um símbolo da reunião de rapsódias compostas por distintos aedos e de outras elaboradas pelo povo grego desta época. Em nenhum momento, mesmo atualmente, houve alguma espécie de consenso entre os pesquisadores.

O que se conhece realmente são pequenos detalhes, como o de que, se Homero foi realmente um aedo, ele provavelmente narrava suas histórias em pé, sustentado por um bastão, extraindo da memória as lutas heróicas travadas no passado, procurando preservá-las ao longo do tempo. Hoje as polêmicas se atenuaram, pois o foco principal está nas questões da linguagem, uma vez que não há possibilidades ainda de se obter alguma certeza na história de Homero. Seus grandes clássicos permanecerão por toda a eternidade, contendo, somados, um total de 27.803 versos, subdivididos em 24 cantos cada um, feito nunca igualado por nenhum outro autor da literatura ocidental.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Homero
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/antiga/2004/05/14/001.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aedo