Santo Agostinho

Por Ana Lucia Santana
Santo Agostinho, conhecido também como Aurélio Agostinho, Agostinho de Hipona ou São Agostinho, foi importante bispo, teólogo e filósofo, reconhecido pelos católicos como Doutor da Igreja. Ele nasceu na cidade de Tagaste, na Numídia, no dia 13 de novembro de 354, e cresceu no norte da África, região colonizada pelos romanos. Ele era membro da burguesia, filho de Patrício, pagão convertido no momento da morte, e da devotada cristã Mônica, de quem herdou preciosos ensinamentos religiosos.

A caminho de Cartago, para completar sua educação, ingressou em um caminho moralmente duvidoso, adotando o Maniqueísmo – doutrina que dava existência concreta tanto ao bem quanto ao mal -, para compreender e legitimar sua opção pela intensa sensualidade. Concluída sua formação, fundou uma escola nesta mesma cidade, seguindo depois para Roma e Milão. No ano de 386 ele abandonou de vez a pedagogia, ao completar trinta e dois anos, por motivos de saúde e também por seus dilemas espirituais.

Neste momento ele abandona a filosofia maniqueísta e descobre o neoplatonismo, através do qual começa a compreender a verdadeira espiritualidade. Aos poucos ele deixa de lado a luxúria e, em setembro deste mesmo ano, inicia sua conversão ao Cristianismo. Ele se isola então em Milão, durante alguns meses, junto com a mãe, o filho e alguns seguidores, abdicando do mundo, da profissão e do casamento. Um ano depois, por influência e pelas mãos de Ambrósio de Milão, ele foi batizado durante a Páscoa, e então voltou para sua terra natal, instituindo aí um monastério, depois da morte da mãe e de dispor de todos os seus bens.

Ele foi ordenado padre em 391, sagrado como bispo em 395, liderando a Igreja de Hipona até sua morte. Seus sermões tornaram-se célebres – atualmente preserva-se pelo menos 350 destes discursos, considerados todos autênticos. Durante sua permanência à frente desta instituição cristã, Santo Agostinho incentivou a repressão dos Donatistas – grupo cristão considerado herético pelo Catolicismo – por meio do uso da força.

Agostinho morreu em 430, no dia 28 de agosto, aos setenta e cinco anos, vítima da invasão de Hipona pelos vândalos. O santo tem lugar de destaque na história da Igreja Católica, reconhecido por sua profunda percepção e pelo seu temperamento compreensivo, bem como por sua junção da natureza teórica da patrística - ciência que se ocupa da doutrina dos Santos Padres e da história dessa doutrina – grega com o teor prático da patrística latina. Sua ênfase maior, porém, foi sempre nas questões da práxis moral: o mal, a liberdade, a graça, a predestinação.

Parte de sua obra se dedica às especulações filosóficas, com destaque para os diálogos, tais como Contra os acadêmicos, Da vida beata, Os solilóquios, Sobre a imortalidade da alma, Sobre a quantidade da alma, Sobre o mestre, Sobre a música; a outra é devotada à teologia, que complementa sua filosofia, especialmente Da Verdadeira Religião, As Confissões – sua obra mais conhecida -, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira.

Santo Agostinho teceu algumas considerações sobre os judeus em sua obra, considerando aqueles que foram dispersos como inimigos da Igreja, sendo assim submetidos a essa provação por seu comportamento anterior com relação a Jesus, reforçando as profecias bíblicas sobre a trajetória judaica na Terra. Alguns de seus argumentos foram, infelizmente, usados tanto para estimular o antisemitismo, como contra os próprios cristãos.

Fontes
http://www.mundodosfilosofos.com.br/agostinho.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Donatismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_de_Hipona
http://bibliacatolica.ning.com/