Tiradentes

Graduada em História (UFRJ, 2016)

Joaquim José da Silva Xavier
Morreu dia vinte e um de abril
Pela Independência do Brasil
Foi traído e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais” *

A letra da música acima, “Exaltação a Tiradentes” interpretada pela cantora Elis Regina, apresenta uma imagem muito comum de Tiradentes vista pelas pessoas: homem totalmente do bem que queria apenas a liberdade do Brasil e do povo brasileiro diante dos absurdos imposto pela Coroa portuguesa como a execução da derrama e que foi traído e único inconfidente morto pelo governo por articular e participar da chamada Inconfidência Mineira, no ano de 1789. Mas antes de entrar na imagem de Tiradentes, precisa entender quem foi este homem.

Joaquim José da Silva Xavier nasceu na Vila de São José Del Rei, onde hoje é a cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, no ano de 1746. Possuía diversas profissões: dentista, tropeiro, minerador, comerciante, militar. Era filho Domingos da Silva Santos, proprietário rural, e da brasileira Maria Antônia da Encarnação Xavier, tendo sido o quarto dos sete filhos. É importante ressaltar que com a morte prematura de seus pais, ficou sob a tutela de seu padrinho e acabou se dedicando às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista que é de onde veio sua alcunha: Tiradentes.

Em 1780, se alistou na tropa da Capitania de Minas Gerais e no ano seguinte foi nomeado comandante do destacamento dos Dragões na patrulha do "Caminho Novo", estrada que servia como rota de escoamento da produção mineradora da capitania mineira ao porto Rio de Janeiro, tendo uma maior aproximação dos abusos da metrópole no que dizia respeito aos impostos. Anos depois pediu desligamento da carreira militar, pois não havia alcançado promoção na carreira, chegando apenas a alferes. Sendo excelente orador, tendo grande capacidade de organização e liderança, fez parte de um movimento aliado a integrantes do clero e da elite, e inspirado pelas ideias de liberdade das colônias americanas e sua independência. Havia também a influência da queda na receita de Minas Gerais e, mesmo assim, tendo a obrigação de pagar o Quinto e, em seguida, com o estabelecimento da Derrama, outro imposto, afetando a elite. Em março de 1789, os líderes da revolta, incluindo Tiradentes, saíram às ruas de Vila Rica exaltando a República, mas acabaram sendo delatados por Joaquim Silvério dos Reis. Foi o único condenado à forca e executado em 21 de abril de 1792. Essa data atualmente é feriado nacional. Teve seu corpo esquartejado como forma de exemplo.

Martírio de Tiradentes - obra de Aurélio de Figueiredo

Historiadores afirmam que Tiradentes tinha cabelo e barba raspados por ser militar e a figura que conhecemos é referência clara a figura de Jesus Cristo, fato facilitado pela falta de imagens do alferes. Ele se torna um herói no contexto da República no Brasil tendo uma imagem defensor dos fracos e oprimidos, dono de um caráter irretocável, sendo por isso tomado como modelo por suas ações. Também aparece como uma figura de pouca ou, então, de destacada importância; ora aparece como o “bode expiatório”. O fato é que Tiradentes se tornou um herói nacional.

Referências Bibliográficas:

* Trecho da música “Exaltação a Tiradentes”, composição: Estanislau Da Silva / Mano Décio / Penteado

BARBOSA, Waldemar de Almeida. A fisionomia de Tiradentes. In: GUIMARÃES, Fabio Nelson et al. O Tiradentes, patrono cívico do Brasil: onde nasceu, como viveu, qual foi seu aspecto físico. 3 ed., [São João del-Rei, Brasil]: Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, 1975.

CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.

DEL PRIORE, Mary, VENANCIO, Renato. Uma Breve História do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

DOLCI, Mariana de Carvalho; FILHO, Amilcar Torrão. A Figura de Tiradentes nos Livros Didáticos de História na Época dos Bicentenários da Inconfidencia Mineira e de sua morte (fina da década de 1980 e início da década de 1990). Link: http://www.pucsp.br/iniciacaocientifica/20encontro/downloads/artigos/MARIANA_DE_CARVALHO_DOLCI.pdf

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996.

FONSECA, Thais Nívia de Lima e. A Inconfidência Mineira e Tiradentes vistos pela Imprensa: a vitalização dos mitos (1930 – 1960). Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 22, nº 44, pp. 439-462, 2002.