Ferritina

Por Débora Carvalho Meldau
A ferritina consiste em uma proteína globular que tem a incumbência de armazenar ferro, liberando-o de forma controlada. Embora seja encontrada em todas as células do organismo, concentrando-se, em especial, nos hepatócitos. Quando a ferritina encontra-se livre, ou seja, sem estar associada ao íon ferro, recebe o nome de apoferritina.

Esta molécula apresenta peso molecular aproximado de 600.000 daltons. É composta por uma fração polipeptídica (apoferritina), sendo que no interior desta são observados até 4.000 átomos de ferro. Quando o indivíduo encontra-se em perfeita saúde, isso pode representar 25% do ferro total presente no corpo.

No interior da célula, esta proteína pode ser encontrada sob três formas distintas:

  • Depósitos intracitoplasmáticos;
  • Inclusões lisossômicas;
  • Hemossiderina.

A ferritina circulante demonstra diretamente o estoque de ferro presente no organismo, sendo este um dos principais parâmetros para o diagnóstico diferencial de anemia ferropriva, evidenciação de excesso de ferro e avaliação do estado férrico.

A dosagem da ferritina é feita quando esta se encontra associada ao ferro, por meio da radioimunoensaio. Seu valor normal gira em torno de 10 a 80 µg/L, sendo que um grama de ferritina é capaz de armazenar até 8 mg de ferro. O exame para avaliar a quantidade dessa proteína no organismo habitualmente é solicitado junto a outros exames do ferro, quando um hemograma rotineiro evidenciar baixo nível de hemoglobina e hematócrito ou quando há a presença de hemácias microcíticas e hipocrômicas, condições que sugerem a presença de anemia por deficiência de ferro, mesmo que não haja sintomas.

Contudo, com o progresso da carência de ferro, o indivíduo começa a manifestar alguns sintomas, como fadiga crônica, fraqueza, tontura e cefaléia. Ao passo que o quadro evolui, pode haver também falta de ar, sonolência, irritabilidade, zumbidos auditivos (tinido), dor torácica, dores nos membros inferiores, choque e insuficiência cardíaca. Além dessas manifestações, também pode estar presente a pica, que consiste no desejo de ingerir substâncias específicas, como giz, alcaçuz, poeira ou terra, sensação de queimação, lesões nas comissuras labiais e unhas em formato de colher.

Quando se suspeita de sobrecarga de ferro no organismo, também pode ser solicitada a dosagem de ferritina. Neste caso, os sintomas apresentados pelo paciente são: dores nas articulações; fadiga; fraqueza; dor abdominal; redução da libido; problemas cardíacos.

Elevados níveis de ferritina podem indicar uma grande variedade de doenças, como:

  • Doença hepática aguda ou crônica;
  • Sobrecarga de ferro;
  • Leucemia;
  • Inflamação ou infecção aguda ou crônica;
  • Mal de Hodgkin;
  • Anemias hemolíticas crônicas;
  • Doença renal crônica.

Já o baixo nível de ferritina indica uma deficiência crônica de ferro, sendo que este quadro tem sido relacionado à síndrome das pernas inquietas, além de poder indicar a presença de hipotireoidismo e deficiência de vitamina C.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferritina
http://www.labtestsonline.org.br/understanding/analytes/ferritin/test.html
http://www.labes.com.br/ferritina.htm
http://www.copacabanarunners.net/ferritina.htm
Ilustração: http://ghr.nlm.nih.gov/handbook/illustrations/ferritin