Projeção de Peters

Por Caroline Faria
Durante muito tempo a Projeção de Mercator foi a mais utilizada para representar a superfície terrestre. Porém, em 1973, Arno Peters, cartógrafo e historiador alemão, criou uma projeção que ele mesmo chamou de “mapa para um mundo solidário”.

A projeção de Peters é uma projeção cilíndrica tangente aos pólos, parecida com a de Mercator, mas com a diferença fundamental de representar, o mais próximo possível da realidade, a proporção de tamanho entre os continentes sem se preocupar com a equivalência das distâncias.

Na projeção de Peters (ou “Projeção Equivalente de Peters”) os paralelos estão separados a intervalos crescentes desde os pólos até o Equador e, por isso, os continentes situados entre os paralelos 60º norte e sul apresentam uma deformação (alongamento) no sentido norte-sul, sendo que os continentes que se situam em uma latitude elevada (Groenlândia, Canadá...) apresentam um achatamento no sentido norte-sul e um alongamento proposital (para haver correspondência em tamanho) no sentido leste-oeste.

Outra diferença desta projeção para a de Mercator é que os paralelos estão separados por uma distância menor, fazendo com que os continentes em latitudes menores que 60º (mais próximos do equador) fiquem mais “finos” (ou, com que haja um achatamento no sentido leste-oeste).

Devido a estas mudanças nas posições dos paralelos, a Projeção de Peters apresenta a Europa e a União Soviética bem menor, e a África é que ocupa o centro da projeção.

Por isso, a projeção de Peters é tida como uma projeção ideologicamente “terceiro-mundista”. Ela apresenta uma proporção real entre os continentes onde os países de primeiro mundo não são maiores que os países do terceiro-mundo, no sentido literal e metafórico.

Tanto é que a Projeção de Peters foi utilizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) como uma tentativa de sensibilizar os países do primeiro mundo acerca da pobreza dos outros países.

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