Prostaglandinas

Por Débora Carvalho Meldau
As prostaglandinas (PGF2) fazem parte de uma grande família de compostos endógenos, denominados eicosanóides, e derivados de ácidos graxos oxigenados e insaturados que possuem 20 átomos de carbono. Exercem efeito em uma ampla gama de atividades biológicas, de quase todas as células e tecidos do organismo.

Este amplo leque de efeitos biológicos abrange praticamente toda a atividade orgânica, incluindo-se, dentre outras, a função reprodutiva, o controle da pressão sanguínea, a função renal, a formação de trombos, os processos inflamatórios, o fluxo sanguíneo regional, a função exercida pelo músculo liso, a atividade neuronal e determinados processos patológicos.

Foi no início de 1930 que este composto foi reconhecido por dois ginecologistas americanos, Kurzok e Lieb, relatando sua presença no sêmen humano, sendo posteriormente relatada, por outros pesquisadores, que foi observada a PGF2 em todo o corpo.

Sua presença no organismo é exclusivamente dependente da sua síntese a partir de ácidos graxos disponíveis. Sua biossíntese ocorre em duas etapas:

  • 1° etapa: liberação dos precursores que ocorre por meio da ação da enzima fosfolipase-A2, responsável pela liberação dos ácidos graxos precursores. A ativação desta enzima se dá por uma enorme variedade de estímulos fisiológicos, patológicos e farmacológicos.
  • 2° etapa: síntese de prostaglandinas que acontece a partir de precursores liberados e pela intervenção da enzima cicloxigenase.

Quando as prostaglandinas se ligam a receptores específicos localizados nas membranas celulares, exercem seus efeitos. Estas atuam coordenando redes de repostas biológicas moduladas por hormônios ou por neurotransmissores.

As prostaglandinas fazem com que a permeabilidade capilar aumente, além de possuírem o poder da quimiotaxia, atraindo células (por exemplo, macrófagos) especializadas na fagocitose de debris (restos) celulares derivados do processo inflamatório.

Estas substâncias também atuam como hormônios locais. Seu papel varia de acordo coma célula-alvo, apresentando vida útil muito curta.

Com relação a sua função reprodutiva, podemos dizer que a sua produção e liberação no endométrio feminino são reguladas pelos hormônios estrógeno e progesterona.

A PGF2 deixa o útero por meio da veia uterina, sendo sua maior parte transportada pelo sangue venoso aos pulmões, local onde é rapidamente degradada em metabólitos inativos. Todavia, outra parte é transportada diretamente do útero ao ovário adjacente por meio de um mecanismo de contracorrente que transfere o agente luteolítico da veia uterina até a artéria ovariana. A liberação da PGF2 no útero se dá por meio de pulsos.

Quando não há a fertilização do óvulo, a progesterona ativa os receptores de ocitocina desenvolvidos no endométrio em resposta ao estímulo de estrógeno. A ligação da ocitocina com seus receptores no meio da fase luteínica aparentemente é o fator responsável pela liberação endógena de PGF2.

Já no caso de fertilização do óvulo e conseqüente gravidez, o excesso de estrógeno leva ao aumento da concentração de PGF2 resultando na contração endometrial e, por fim, expulsão do feto.

Fontes:
http://www6.ufrgs.br/favet/lacvet/restrito/pdf/prostaglandina.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prostaglandina

Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária – Helenice de Souza Spinosa, Silvana Lima Górniak e Maria Martha Bernardi; 4° edição. Editora Guanabara Koogan, 2006.