Primeiro Concílio de Latrão

Por Antonio Gasparetto Junior
O Primeiro Concílio de Latrão teve como objetivo principal restabelecer o princípio de que os assuntos espirituais são de autoridade da Igreja.

Em primeiro de fevereiro de 1119, o papa Calisto II assumiu o posto máximo da Igreja Católica. Ele foi o último Supremo Pontífice a integrar a questão das investiduras, conflito entre Igreja e Estado pela nomeação do papa. Calisto tinha parentesco com quase todas as casas reais europeias, mas, apesar disso, o fato não refletiu em paz para sua administração.

O papa Calisto representou uma esperança para a solução definitiva da questão das investiduras. Ele estava promovendo uma série de reformas dentro da Igreja Católica, a começar pela França, e sem temer os monarcas. Em meio a esse processo, houve, inclusive, a excomunhão de Henrique V e de Gregório VIII, que também se declarava papa na época. Aliás, foi somente com a deposição deste antipapa que Calisto se tornou o legítimo papa, em 1121. Deste momento em diante, Calisto combateu arduamente a questão das investiduras e manteve-se firme contra seu opositor, Henrique V.

O Primeiro Concílio de Latrão foi convocado em dezembro de 1122 para acontecer no ano 1123. Munido de diversos objetivos, a questão central era assegurar que todo o esforço que o papa Calisto II vinha fazendo para solucionar a questão das investiduras fosse consolidado. Porém, além deste desejo, o concílio almejava acabar com a prática de conferir benefícios a leigos e separar os assuntos espirituais e os temporais. Para o último caso, refletiria em diversas outras coisas, já que essa separação acarretaria na afirmação de que só a Igreja Católica possui autoridade sobre os assuntos religiosos e, assim, estaria abolida a influência que os imperadores exerciam na eleição de papas. O que retorna ao objetivo central de combate às investiduras. Nem mesmo as eleições para bispos e abades poderiam mais ser influenciadas.

O concílio foi bem respondido pela comunidade clerical e contou com a presença de quase mil religiosos, sendo 300 bispos e o restante de abades. Sua forte repercussão marcada pela interesse de eliminar as influências fez muitos religiosos se reunirem em Roma no mês de março de 1123. Calisto II foi quem presidiu o encontro que ele mesmo convocou. Foram lidas e ratificadas as definições da Concordata de Worms, que já apontava para a separação entre questões espirituais e temporais e acrescidas as novas determinações.

Pode-se dizer que o Primeiro Concílio de Latrão foi um sucesso para os interesses católicos da época. Depois disso, Calisto II tentou manter o status da Igreja, mas faleceu pouco tempo depois, no dia 13 de dezembro de 1124. Ainda no que chamamos de Idade Média, o concílio foi fundamental para questionar o direito divino dos reis, aspecto que seria muito relevante para a Renascença.

Fonte:
http://www.grupoevangelizashow.net/index.php?option=com_content&view=article&id=33%3Aconcilios-ecumenicos&catid=6%3Aartigos&Itemid=6&limitstart=8