Pênfigo

Por Débora Carvalho Meldau
O pênfigo é um termo que abrange um grupo de doenças incomuns, que caracterizam-se pelo surgimento de bolhas na pele e nas mucosas (oral, vaginal e peniana). Todos apresentam em comum a localização das bolhas, que é a epiderme (camada mais superficial da pele).

Esta doença ocorre no mundo todo, mas apresenta uma curiosa prevalência na região centro-norte da América do Sul. No Brasil, ocorre com maior frequência nos Estados da região Centro-Oeste, em Minas Gerais, Distrito Federal oeste de São Paulo e norte do Paraná.

Outro ponto curioso de sua epidemiologia é o recente deslocamento de seus focos principais para a região norte das áreas acima citadas, aparecendo a maior parte dos novos casos em regiões de colonização recente. Todavia, tem-se verificado a gradativa redução de sua incidência nas regiões que antes abrangiam a maioria dos casos dessa doença.

Sua etiologia ainda não foi elucidada. Sabe-se que um mecanismo imunológico, de auto-agressão, é responsável pelo ataque a pele por parte dos anticorpos, resultando na perda de aderência entre as células da epiderme. Existe também a hipótese da etiologia viral, em que o homem, adentrando o nicho ecológico do agente infeccioso, possivelmente contrairia o patógeno por intermédio de um vetor.

Existem distintos tipos de pênfigos. Os dois principais são o pênfigo vulgar e o pênfigo foliáceo.

  • Pênfigo Vulgar: é o tipo mais grave e, na maioria das vezes, aparece em indivíduos entre 30 a 60 anos de idade. Normalmente inicia-se com dolorosas lesões na mucosa oral, que lembram aftas. Algum tempo depois, aparecem na pele, bolhas que contêm um líquido translúcido, turvo ou sanguinolento, que convergem e se rompem, resultando em erosões na mucosa, similares a queimaduras. Como as lesões são dolorosas, o comprometimento da mucosa oral leva a dor ao deglutir, atrapalhando a alimentação, contribuindo assim para a queda do estado geral do paciente.
  • Pênfigo Foliáceo: popularmente conhecido como Fogo Selvagem, acomete principalmente adultos jovens e crianças que habitam áreas rurais, perto de rios e em algumas populações indígenas. A afecção é caracterizada pelo aparecimento de bolhas superficiais, que convergem e se rompem com facilidade, resultando em uma lesão erosada e áreas eritematosas cobertas por crostas. Essas lesões iniciam-se na cabeça, pescoço e parte superior do tronco, espalhando-se, posteriormente, por todo o corpo, exceto nas mucosas. As lesões são dolorosas e apresentam a sensação de queimação, derivando daí o nome Fogo Selvagem.

A confirmação do diagnóstico é feito por meio de uma detalhada análise ao microscópio de um fragmento de pele lesada (bolha).

O tratamento objetiva abolir a auto-agressão, impedindo que os anticorpos ataquem a pele. O principal fármaco usado é o corticosteróide em altas doses. É comum que seja necessária a hospitalização do paciente até que a fase mais grave seja controlada.

As infecções secundárias são tratadas com medicamentos coadjuvantes. Os cuidados gerais com a higiene das lesões, hidratação e alimentação do paciente são imprescindíveis. Outros fármacos imunossupressores podem ser associados nos casos mais complicados e que não respondem positivamente ao tratamento com os corticosteróides.

Fontes:
http://www.dermatologia.net/novo/base/doencas/penfigos.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%AAnfigo
http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=2597&ReturnCatID=666
http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/11889
http://www.manualmerck.net/?id=222&cn=1812

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