Toxocaríase

Por Débora Carvalho Meldau
A toxocaríase, também conhecida como Síndrome da Larva Migrans Visceral (SLMV), é causada por parasita pertencente ao gênero Toxocara, filo Nemathelmintes, classe Nematoda, ordem Ascaroidea, família Ascaridae e subfamília Ascarinae. Este gênero possui 21 espécies, sendo que as se destacam são a Toxocara canis e a Toxocara catti, que atacam cães e gatos, respectivamente. Esta doença é uma antropozoonose de distribuição mundial. Este parasita tem como hospedeiro definitivo os animais, mas pode atacar o homem acidentalmente.

Toxocara canis

Dentre todos os agentes causadores da SLMV, o T. canis apresenta características peculiares de ciclo biológico e padrão de migração larvária, sendo assim a espécie mais frequentemente causadora da doença.

Em cães, a infecção é mais comumente observada em cadelas prenhes e lactantes, bem como nos seus filhotes, pois ocorre a contaminação destes por via transplacentária e transmamária. Após o nascimento, o parasita completa o ciclo nesses filhotes dentro de três a quatro semanas de vida, eliminando os ovos deste parasita junto com as fezes. Além deste tipo de infecção os cães podem infectar-se através da ingestão de ovos infectantes, de larvas em tecidos de hospedeiros paratênicos, ou ainda, ingestão pela cadela de larvas do T. canis presente nas fezes ou vômitos dos seus filhotes, quando esta fizer a higienização dos mesmos.

Após a entrada do ovo embrionado no organismo, este irá liberar a larva no estômago e intestino delgado, que irão penetrar na mucosa intestinal, alcançarem a circulação linfática ou sangüínea, chegando ao fígado dentre de um período de 24 horas. Em seguida, irão atingir o coração e os pulmões através da corrente sanguínea. As larvas presentes nos pulmões podem passar dos bronquíolos para a traquéia e faringe, sendo então deglutidas (rota traqueal). Após ocorrida duas mudas, estas larvas irão tornar-se vermes na luz do intestino, passando a colocar ovos que aparecerão nas fezes dentro de 4 a 5 semanas após ocorrida a infecção.

A rota traqueal, geralmente acontece em filhotes com menos de 5 semanas de vida, enquanto que em animais mais velhos, as larvas migram do pulmão para o coração e, em seguida, para todos os tecidos do hospedeiro, permanecendo quiescentes, podendo sobreviver por muitos anos. Depende muito da espécie do animal, mas os lugares preferencialmente acometidos são: fígado, rins, pulmões, músculos e cérebro.

Já  o homem pode adquirir este parasita através da ingestão de ovos que contenham a larva em estágio infectante. No intestino haverá  a eclosão destes ovos que irão liberar a larva que penetrará na mucosa intestinal. Esta irá migrar pela circulação porta até o fígado, onde pode ser encapsulado ou migrar para os pulmões e coração, sendo disseminado pela circulação sistêmica. Pode haver lesão das paredes dos vasos, podendo haver hemorragias, necrose e processos inflamatórios, que podem resultar no encapsulamento fibroso dessas larvas no tecido acometido, permanecendo viáveis por muito tempo.

Nos cães, os sinais clínicos mais comuns são: diarréia, flatulência, distensão abdominal, desidratação e atraso no desenvolvimento. Quando as larvas passam pelos pulmões, pode haver tosse e quadro de pneumonia. A migração larval pode resultar em alterações como celulite orbital, e em infecções muito grandes, pode levar o animal à morte. Em relação às alterações hematológicas, eosinofilia é considerada a principal.

No homem, a infecção pode ser assintomática, mas as manifestações clínicas irão depender de fatores como: quantidade de carga parasitária, padrão da migração larvária e resposta imune do hospedeiro. Atualmente, são descritas três formas de manifestações clínicas:

  • Toxocaríase visceral;
  • Toxocaríase ocular isolada;
  • Apresentações atípicas.

O diagnóstico em cães pode ser o clínico, com a observação de proeminência de abdome, anorexia, diarréia, pneumonia e presença de parasitas imaturos em vômito. Para a confirmação, pode ser feito testes laboratoriais através da constatação e identificação microscópica de ovos em exame de fezes do cão, através do Método de Flutuação. Em relação ao diagnóstico no homem, é feito através de métodos indiretos, com detecção de altos níveis de anticorpo IgG anti-Toxocara canis na corrente sanguínea ou fluídos corporais. O método de diganóstico mais utilizado é o teste de E.L.I.S.A.

Para o tratamento e controle desta doença recomenda-se:

  • Eliminar os parasitas dos animais infectados;
  • Prevenir a contaminação do ambiente por fezes de cães;
  • Reduzir a população canina;
  • Fazer um programa de educação da população sobre o potencial zoonótico desses nematódeos.

O ideal é fazer um esquema de tratamento anti-helmíntico dos filhotes, para evitar que as larvas do T. canis cheguem à forma adulta e liberem ovos. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda realizar o tratamento na segunda, quarta, sexta e oitava semanas de vida dos cães. O medicamento mais utilizado no tratamento de animais com infecção instalada é o febendazole, na dose de 20 mg/kg. Nos cães adultos, é muito raro a toxocaríase, mas quando ocorre a dose recomendada é a de 50 mg/ kg.

Fontes:
http://www.fmvz.unesp.br/revista/volumes/vol16_n3/VZ16_3(2009)_437-447.pdf
http://www.revista.inf.br/veterinaria11/revisao/edic-vi-n11-RL91.pdf
http://saude.abril.com.br/edicoes/0293/bichos/conteudo_263667.shtml
http://www.saudeanimal.com.br/artig176.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Toxocaríase
http://workforce.cup.edu/buckelew/Toxocara%20canis%20ova.htm

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