Concorrência

Por Thais Pacievitch
Concorrência é a rivalidade que ocorre entre dois ou mais produtores que desejam vender seus artigos de mesma classe, ou entre vários consumidores que pretendem obter produtos de mesma espécie. Cada fabricante, interessado em colocar seus produtos no mercado rapidamente para obter a recompensa pelo seu trabalho, faz o possível para ser o preferido pelo consumidor, que, por sua vez, deseja ter suas necessidades supridas e aspira pela preferência do produtor.

A concorrência é o estado habitual e ocorre com produtores e consumidores, mas acontece principalmente entre uns ou outros segundo as condições do mercado: quando um artigo é abundante com relação à necessidade que supre, os produtores competem acirradamente par evitar que existam sobras, e, quando o produto se torna escasso, então são os consumidores que lutam para não ficar desprovidos.

O produtor procura na concorrência a justa retribuição de seu trabalho, oferecendo ao consumidor produtos de qualidade superior ou mais baratos que os dos seus rivais. Isto somente pode ser obtido melhorando os procedimentos da indústria para diminuir gastos. É uma luta onde o mais habilidoso e trabalhador dos produtores é premiado, onde os outros produtores são estimulados, os consumidores são atendidos e, de maneira geral, toda a humanidade se serve desta luta, visto que se beneficia dos progressos obtidos na indústria. Portanto, esta luta tende a conduzir à harmonia de todos os interesses.

A concorrência é o motor primeiro da atividade, o mais poderoso estimulante de todo adiantamento. A proteção contra a concorrência é uma proteção que visa impulsionar a ociosidade, a rotina e o estéril repouso das faculdades humanas. Onde não há concorrência, existe monopólio. A concorrência leva consigo a responsabilidade individual. Em suma, a concorrência é norteada por um regime de paz, é a única e verdadeira harmonia de todas as liberdades necessárias à produção e distribuição de riqueza.

Muitos, entre os socialistas e alguns entre os empíricos, pensam que a concorrência é o estado de guerra da sociedade, a sanção do direito do mais forte, inimigo declarado do mais débil, acham que se trata de um regime bárbaro e selvagem. Eles emendam que a concorrência afasta a boa fé dos contratos, porque, a título de vender barato, os consumidores são enganados na qualidade e quantidade das mercadorias. Eles pensam que a concorrência ilimitada e universal conduz a uma maneira muito desigual de repartir a riqueza produzida, fato do qual nasce o mal estar contínuo das classes trabalhadoras e a miséria do povo, no seio da sociedade. Pensam que assim se consagra a tirania do capital, ou seja, que a antiga aristocracia sangrenta foi trocada pela aristocracia moderna do dinheiro, composta pelos senhores feudais dos bancos e das indústrias cujos vassalos são os trabalhadores.