Caminhada

Graduação em Fisioterapia (Faculdade da Serra Gaúcha, FSG, 2014)

Quando o assunto é a prática de atividades físicas muitas são as modalidades conhecidas, porém uma das atividades que dificilmente é deixada de lado é a caminhada. Por ser uma atividade completa, não possui contraindicações e pode ser praticada por qualquer indivíduo de qualquer faixa etária. A mesma é considerada um movimento primitivo do ser humano, porém constantemente estudado afim de buscar os benefícios da prática como atividade física em sua totalidade, objetivando trazer maiores informações para os indivíduos praticantes e os que pretender começar a praticar.

Caminhada. Foto: © iStock.com / barsik

Caminhada. Foto: © iStock.com / barsik

Cientificamente falando, a marcha é um processo de movimentação que se caracteriza pelo deslocamento ritmado do corpo como um todo, mantendo o indivíduo em movimento com constante progressão. É importante enfatizar alguns conceitos para que o entendimento cientifico em relação a caminhada se dê da maneira mais completa possível. Fala-se em biomecânica da marcha para que cada fase seja caracterizada de maneira correta através dos conceitos da cinemática, fazendo com que a mesma possa ser analisada e entendida em sua integridade, são eles:

  • Cadência: compõe o número de passos que são realizados em um minuto.
  • Passo: espaço de tempo entre o contato inicial de um pé e o contato inicial do pé contralateral, podendo ser mensurado em tempo de execução ou em comprimento.
  • Passada: espaço de tempo que se leva ao iniciar o contato de um pé com o solo até executar novamente o contato com o mesmo pé iniciado, correspondendo à 2 passos. Também pode ser mensurada em tempo ou comprimento.
  • Ciclo da marcha: é o conjunto de movimentos realizados dentro de uma passada, correspondente à sequência das funções do membro, repetindo-se após cada contato iniciado.

A partir disso, pode-se compreender a marcha e suas fases, sendo elas:

Fase de apoio: caracteriza-se pela sustentação do peso, onde o pé estará em contato com o solo. Devido à sustentação, permite que o corpo avance sobre o membro sustentado. Essa fase se subdivide em três fases: contato inicial (descarga do peso corporal), resposta à carga e apoio médio (apoio unipodal enquanto membro contralateral inicia a fase de balanço), apoio terminal e pré balanço (ocorre transferência de peso para o membro contralateral para que se inicie a fase de balanço).

Fase de balanço: caracteriza-se pela ausência de descarga de peso e de contato com o solo, realizando o movimento do corpo para a frente. Essa fase se subdivide em três fases: balanço inicial ou aceleração (quando o pé é elevado e perde contato com o solo – flexão de joelho e dorsiflexão de tornozelo, permitindo a mobilidade para frente), balanço médio (quando o membro encontra-se subjacente ao membro que realiza a sustentação do peso; subfase do apoio médio), balanço final ou desaceleração (quando membro se prepara para realizar o contato inicial com o solo – quadríceps controla extensão de joelho e os posteriores da coxa controlam o flexo).

A partir dessa descrição, pode-se dizer que o ciclo normal da marcha se dá da seguinte forma: choque do calcâneo, aplanamento, apoio médio, propulsão, fase de balanço, choque do calcâneo. Com essas informações pode-se analisar quando existir alguma alteração na marcha, podendo ser de origem traumática ou neurológica.

Porém a caminhada na visão da atividade física traz como benefícios a melhora do retorno venoso, redução de edemas nas extremidades, melhora do condicionamento muscular e cardiorrespiratório, aumenta velocidade metabólica, aumenta a secreção de ocitocina, aumenta o gasto energético do corpo, podendo auxiliar no processo de emagrecimento. Apesar de tantos benefícios, orienta-se que o indivíduo busque maiores informações com profissionais da área da saúde quando decidir iniciar alguma atividade como a caminhada, para que os benefícios sejam maiores do que as possíveis intercorrências.

Bibliografia:
MAGEE, DJ; Avaliação musculoesquelética; Manole, 4ª ed., 2005.
http://www.ufrgs.br/semiologiaortopedica/Modulo_06.pdf

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