George Orwell

Por Caroline Faria
Na primeira década do século XX nasceu Eric Artur Blair (25/06/1903) sob os ares da cidade de Mothiari, na Índia, sob domínio dos ingleses. Filho de uma mãe de ascendência francesa e de um oficial da marinha britânica que trabalhava no departamento de controle de ópio, Eric cursou a prestigiada Academia de Eton onde se destacava como bom aluno, e tinha tudo para seguir a carreira de seu pai se tornando um importante oficial britânico. Mas o assíduo leitor de escritores como Dickens e Zola já era diferente.

De fato Eric deixou Eton aos dezoito anos para servir na Polícia Imperial Indiana, na Birmânia em 1922. Porém este período serviu apenas para aguçar seu sentimento de inconformismo com qualquer tipo de totalitarismo e, principalmente, a política imperialista britânica, sobre a qual escreveu depois de desertar em 1927: “Servi na polícia das Índias durante cinco anos, ao longo dos quais passei a odiar o imperialismo, que eu próprio servia, com uma força que ainda hoje eu não sei explicar.”. Seu período na polícia imperial virou um livro intitulado “Dias na Birmânia”, escrito na Birmânia, porém publicado apenas em 1934 e no qual ele relata suas experiências.

Após este episódio de deserção, Eric voltou para a Inglaterra decidido a não mais colaborar com a política da qual discordava e isso incluiu abandonar totalmente o modelo de vida aristocrática da qual fez parte, chegando até a mudar de nome adotando o pseudônimo de George Orwell.

Aqui se inicia a história de George Orwell, trabalhador de uma fábrica em Paris e depois em Londres como professor em uma escola primária, que amargaria alguns dias de miséria imortalizados na obra “Na Pior em Paris e em Londres” (1933) quando relata o período onde pôde sentir na pele a miséria e a desigualdade. Sobre o período em que esteve na Inglaterra ele ainda escreveu o romance “A Filha do Reverendo” (1935) e depois “O Caminho para Wigan Pier” (1937).

Em 1936, mesmo ano em que publicou “O Vil Metal”, se inicia a Guerra Civil Espanhola e Orwell sente que aquele era o momento de fazer parte da história, o que justifica dizendo que “naquela época, e naquela atmosfera, isso pareceu ser a única coisa que podia fazer”, então se une ao grupo antifascista em Barcelona.

No período em que esteve na Espanha, Orwell chegou a tenente e só deu baixa após ser ferido na garganta por uma bala. O que, felizmente, não teve conseqüências graves. De volta à Inglaterra ele publica “Uma Homenagem à Catalunha” (também traduzido como “Lutando na Espanha”) em 1938.

Um pouco depois, Orwell contrai tuberculose e viaja para o Marrocos onde escreve “Coming Up For Air” (traduzido como “Um Pouco de Ar Por Favor”) publicado no ano seguinte em 1939.

Em 1939 se iniciou a II Guerra Mundial e George Orwell, que já era bastante conhecido e se tornara editor do “Labour Weekly Tribune”, passa a escrever para alguns jornais como o “The Observer” e a BBC (The British Broadcasting Company) onde também atuou na radiodifusão.

Orwell estava descontente com os rumos que o comunismo tomara e chegava mesmo a dizer que o regime soviético havia traído a Revolução de 1917. Orwell então manifesta seu descontentamento em resenhas políticas como “Inside the Wale” (1944), “Critical Essays” (1946) e “Shooting an Elephant” (1950), mas é em “Animal Farm” (traduzido como A Revolução dos Bichos, publicado em 1945) que ele escancara o totalitarismo dos soviéticos o seu “aburguesamento” aos quais ele era totalmente contra.

O trabalho de Orwell culmina com “1984” (publicado em 1949) uma distopia onde ele retrata o mundo futuro dominado por um regime totalitário e pela mentira. “1984” é considerado como uma das obras da Social Science Fiction, uma ficção científica mais voltada para implicações humanas e sociais, junto com obras como “Admirável Mundo Novo” (1932) de Aldous Huxley que, inclusive, publicou, mais tarde (cerca de 25 anos depois) um ensaio intitulado “Regresso ao Admirável Mundo Novo” onde cita diversas vezes a obra “1984” de Orwell.

Em janeiro de 1950, George Orwell é vencido pela tuberculose.

Sobre seu trabalho George Orwell dissera: "Quando me sento para escrever um livro, não digo para mim 'vou produzir uma obra de arte'. Escrevo porque existe alguma mentira para ser denunciada, algum fato para o qual quero chamar a atenção, e penso sempre que vou encontrar quem me ouça."