Lima Barreto

Por Paula Perin dos Santos
Afonso Henriques Lima Barreto (1881-1922) nasceu no Rio de Janeiro e ocupa hoje um lugar de destaque em nossa literatura por criticar a sociedade carioca (e brasileira) no início do século XX.

De família humilde e mulata, consegue, sob ajuda do Visconde de Ouro Preto, concluir e curso secundário e ingressar no Curso de Engenharia, mas abandona para cuidar do pai doente e sustentar a família.

A dura vida que levava como funcionário público, o preconceito racial de que era vítima, o desgosto familiar e a depressão de que sofria fizeram de Lima Barreto um grande crítico social em suas obras. Denunciou a corrupção da nossa elite, o preconceito racial e social. Por outro lado, valoriza apaixonadamente o povo sofrido dos subúrbios que não possuem perspectiva de uma vida melhor.

Lima Barreto fez inúmeros registros críticos de acontecimentos históricos brasileiros, como a campanha contra a febre amarela, a política de valorização do café, a participação do Exército brasileiro na Primeira Guerra Mundial, o advento feminista, dentre tantos outros. Inclui-se a crítica aos políticos da época, retratados com desprezo por serem gananciosos, sem conhecimento intelectual e pela mania de grandeza. Tudo isso envolto pelo seu carinho à cidade do Rio de janeiro, à sua gente sofrida e seus dramas.

Sua obra mais representativa foi O Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915), que conta a trajetória de Policarpo Quaresma, um major reformado e nacionalista e fanático que, ao conhecer, através dos livros, às grandezas de nossa terra, insiste em transformar o Brasil numa grande potência mundial.

Publicou outros romances, como Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919), Clara dos Anjos (1922), e os contos Histórias e Sonhos (1920).

Lima Barreto assume uma postura inovadora em relação a outros escritores de sua época. Rebelou-se com o formalismo e não seguiu o modelo de outros literatos. Enquanto isso, seus contemporâneos tratavam de “Olimpo e plagas gregas” que não conheciam; já o escritor inaugurava, em sua prosa, o subúrbio carioca.

Fontes
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.370-1.

SARMENTO, Leila Lauar. Português: Literatura, Gramática e Produção de Texto. São Paulo, Moderna, 2004, p. 129-30.