William Burroughs

Por Caroline Faria
Considerado por alguns como “o maior escritor satírico desde Jonathan Swift” (Jack Kerouac), ou ainda como “o fora-da-lei da literatura” 1, Burroughs foi uma coisa com certeza, um dos maiores escritores da chamada geração “Beat” (ou “beatnik”) que inaugurou uma nova maneira de escrever (foi ele quem popularizou a técnica do “cut up” inventada por um grande amigo seu Brion Gysin, e ele também quem inventou o termo “heavy–metal”).

William Seward Burroughs nasceu em St. Louis, Missouri (EUA), em cinco de fevereiro de 1914. Seu pai oi fundador da Burroughs Adding Machine Co. e seu avô foi inventor do mecanismo da calculadora.

Burroughs estudou em uma escola para garotos no México (em Los Alamos – a escola onde ele estudou no México, seria usada durante a II Guerra Mundial para o projeto Manhattan) e, mais tarde graduou-se em Harvard em 1936.

Durante um período Burroughs foi morar na Alemanha onde pretendia estudar medicina e onde conheceu Ilse Herzfeld Klaper, uma judia alemã. William acabou casando-se com Ilse para que ela pudesse ir morar nos EUA visto que o nazismo começava a tomar conta da Alemanha. Ambos tornaram-se muito amigos e tinham o costume de almoçar quase sempre juntos, mas jamais chegaram a viver como marido e mulher e Burroughs acabou se separando oficialmente dela na década de 40 quando se casou com Joan Vollmer.

Talvez tenha sido nesta época, em que esteve em contato com o nazismo de Hitler na Alemanha, que ele tenha começado a se interessar pelos mecanismos de controle do Estado sobre seus cidadãos, umas das problemáticas que permeiam sua obra e sobre a qual escreveria: “Desde o começo eu tenho me preocupado, enquanto escritor, com o vício em si (seja a droga, sexo, dinheiro, ou poder) como um modelo de controle,...”.

Aliás de vícios Burroughs entendia. Seu estilo de vida, totalmente incomum para a época (Burroughs era homossexual e viciado em morfina), foi o que fez com que ele se tornasse um ícone da cultura beat.

Ao morar em Chicago, Burrougs conheceu Lucien Carr (que mais tarde seria pai de Caleb Carr, autor de “The Alienist”) e David Kammerer que teve um papel fundamental na vida de Burroughs, pois foi através dele que Burroughs conheceu (este sim) o pai da cultura beat, Jack Kerouac. Foi Kerouac também, o primeiro a incentivar Burroughs a escrever.

Em 1951, Joan, a esposa de Burroughs, foi morta por acidente por ele mesmo que alegou na época que eles estavam “brincando” de reproduzir a cena de Guilherme Tell – em que ele deve acertar uma flecha na maçã sobre a cabeça de seu filho, só que no lugar da maçã haviam colocado um copo na cabeça de Joan e no lugar do arco e flecha, um revólver. E (apenas um detalhe...) estavam bêbados...

Em 1956 Burroughs escreveu uma carta ao Dr. John Dent, médico e pesquisador sobre o vício em drogas, onde relatava à ele todas as suas experiências com o uso de diversas drogas (opiáceas, estimulantes, cannabis, alucinógenos, álcool, e outras) e que acabou se tornando o início de seu livro de maior sucesso “Naked Lunch” (Almoço Nu) publicado em 1959. “Almoço Nu” foi escrito durante as viagens de Burroughs pela América Latina e depois de pelo Marrocos, após a morte de sua esposa Ilse. Foi durante estas viagens pelas Américas que Burroughs conheceu o peyote.

“Almoço Nu” chegou a ser proibido nos EUA por ser considerado um livro obsceno, mas depois de um tempo ele acabou sendo reconhecido como uma importante obra literária.

William Burroughs morreu em 1997 de um ataque cardíaco como uma das figuras mais influentes da contracultura.