Jack Kerouac

Jack Kerouac, William Burroughs e Allen Ginsberg formaram a tríade que inaugurou uma nova era na literatura, e não só na literatura, influenciando de forma definitiva a cultura de uma geração. A geração “Beat” ou “Beatnik” como era chamada tinha o costume de ser contra o que era comum.

Kerouac nascido em 12 de março de 1922, em Massachussetts (EUA), foi o responsável pelo despertar desta geração. Seu livro “On The Road” foi o marco da literatura beat que se recusava a obedecer os padrões impostos pela new criticism (na tradução literal “nova crítica”) para a qual a única importância de um livro (ou uma obra) estava em seu sentido literal, independentes de seu contexto e das intenções do autor e para a qual a única qualidade real de um escritor era o quanto sua escrita estava adequada ao padrão formal exigido.

Jean-Louis Kerouac teve dois irmãos mas, o mais velho, Gerard, morreu quando ele tinha apenas nove anos. Kerouac estudou em colégios católicos quando mais jovem e como era bom jogador de futebol acabou ganhando uma bolsa de estudos para Universidade de Columbia em Nova York onde conheceu Neal Cassady e William Burroughs.

Porém ao chegar em Columbia, Kerouac brigou com seu técnico. Seu pai perdeu o negócio que tinha e ainda se afundou no álcool. Kerouac acabou largando Columbia. Ele tentou entrar para o exército, porém não se encaixava e acabou entrando para a Marinha Mercante (estava começando a II Guerra). Mas foi nesta época que ele conheceu e se tornou amigo de Allen Ginsberg, Lucien Carr, William Burroughs e Neal Cassady. Seus pais, claro, não aprovavam suas amizades que chamavam de depravados.

Foi com Neal Cassady que Kerouac empreendeu uma viagem de costa a costa dos EUA por meio de caronas, trens de carga e qualquer outro meio de transporte barato, sobre a qual escreveria seu livro “On The Road” que após sete anos sendo recusado por editores finalmente foi lançado, em 1957, e rapidamente se tornou um dos livros mais vendidos da época.

“On The Road” foi uma explosão beat. Escrito em três semanas, alucinadamente, e à base de benzedrina, café e jazz, “On The Road”, era um banho de espontaneidade e idéias novas e ousadas no formalismo “engessante” até então imposto pela new criticism.

Antes de “On The Road”, Kerouac havia tentado lançar outro livro intitulado “The Town and The City”, que chegou a ser publicado em 1950, porém não alcançou muito sucesso. Aliás, a não ser o livro “Visions of Cody” (1972), considerado por muitos e por ele mesmo como sua obra-prima, todos os outros livros de kerouac não tiveram o mesmo êxito de “On The Road”.

Mas Kerouac não estava preparado para o sucesso súbito após anos de rejeição. Os ataques ferozes dos críticos feriram-no severamente. Tempos depois Kerouac estava viciado em álcool e resolveu se isolar acreditando que isto o ajudaria a escrever.

Kerouac vai então morar com sua mãe em Long Island com a qual moraria daí em diante. Kerouac, que durante seus primeiros quarenta anos não tivera nenhum envolvimento romântico de longo prazo (ele havia se casado duas vezes com Edie Parker e Joan Haverty, porém se separara de ambas apenas alguns meses depois), casa-se então com uma amiga de infância, Stella Sampas com quem ficaria até sua morte em 1969, em São Petersburgo, Flórida.

Outros livros de Kerouac: “The Dharma Burns” e “The Subterraneans” (1958), “Doctor Sax”, “Maggie Cassidy” e “Mexico City Blues” (1959), “Book of Dreams”, “Tristessa”, “Lonesome Traveler” e “The Scripture of the Golden Eternity” (1960), “Pull My Daisy” (1961), “Big Sur” (1962), “Visions of Gerard” (1963), “Desolation Angels” (1965), “Satori in Paris” (1966), “Vanity of Duluoz” (1968), e outras compilações de trabalhos seus publicados postumamente.

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