Antivirais

Por Débora Carvalho Meldau
Inicialmente, o termo vírus era empregado para designar substâncias tóxicas, posteriormente foi utilizado para designar agentes de doenças infecciosas. Atualmente os vírus são classificados como pequenos agentes infecciosos (os menores existentes), com um diâmetro que varia de 20-300 nm, apresentando como material genético uma molécula de DNA ou RNA de fita simples ou dupla. São seres acelulares e com pequena quantidade de ácido nucléico.

As infecções virais representam a maior parte dos casos clínicos de doenças infecciosas nos humanos e, provavelmente, na clínica veterinária. Em comparação com os agentes antibacterianos, há um reduzido número de agentes antivirais disponíveis para uso humano, e nenhum destes foi registrado para uso em medicina veterinária.

As maiores dificuldades para a descoberta destes novos medicamentos está no fato de que os antivirais já existentes são ineficazes quando testados in vivo e também, produzem efeitos tóxicos. Esta dificuldade está relacionada, basicamente, ao fato do agente viral ser totalmente dependente da célula do hospedeiro. No entanto, nos últimos anos houve a descoberta de muitos medicamentos antivirais, principalmente devido ao desafio pela busca da cura da AIDS em humanos.

Os principais antivirais humanos são:

Gamaglobulina

A utilização das imunoglobulinas se faz com o objetivo de prevenir as infecções, impedindo a entrada do vírus na célula. Este efeito protetor dura em média de 2 a 3 semanas. São utilizados contra hepatite B, herpes zoster e raiva.

Amantadina

Assim como sua derivada, a rimantidina, são aminas primárias tricíclicas, utilizadas no tratamento do vírus influenza A. Não se sabe ao certo ainda qual o mecanismo de ação deste medicamento, acredita-se que elas inibam os estágios iniciais da replicação viral. A administração delas é oral, sendo absorvidas no trato gastrointestinal.

Vidarabina

Também conhecida como Ara-A, é análoga da adenosina. Atua inibindo a síntese do ácido nucléico. Ela é pouco solúvel, devendo ser administrada em grande volume, por via intravenosa lenta. É usado no tratamento de encefalites por herpes simples e herpes zoster em pacientes imunodeprimidos. Possui efeitos colaterais, como: náuseas, vômitos, diarréia, distúrbios nervosos, em menor frequência.

Aciclovir

Também denominada acicloguanosina, é um nucleosídeo análogo da quanosina. Possui um mecanismo de ação que inibe a síntese de ácido nucléico, porém seletivo. Parece ser captado por células infectadas por vírus e convertido, numa substância polarizada que sofre a ação de várias enzimas e é convertido em trifosfato.  Mesmo não sendo totalmente absorvido no trato intestinal, pode ser administrado via oral. Sua utilização é indicada nos casos de diversas formas de herpes simples. Os efeitos adversos são mínimos, podendo ser observado uma pequena porcentagem de tromboflebite ou formação de bolhas cutâneas.

Idoxuridina

Também denominada de IDU. Age inibindo a síntese do ácido nucléico. É utilizada apenas de forma tópica, pois possui grandes efeitos tóxicos. É indicada no tratamento de ceratite e herpes simples e infecções por varicela-zoster.

Zidovudina

Mais conhecida como AZT. Atua inibindo a transcriptase reversa. É administrada, principalmente, via oral, mas também pode ser administrada via intravenosa. Em humanos, os efeitos tóxicos causados por este medicamento são: supressão da medula óssea, náuseas, insônia e mialgias. Em felinos, há diminuição da contagem de células vermelhas e hemoglobina e também, hepatotoxicidade.

Ribavirina

Conhecida também como tribavirina. Parece que o mecanismo de ação deste antiviral é duplo: inibe a formação celular de iosina monofosfato e também, interfere na síntese de RNAm viral. Sua administração é, preferencialmente, oral, sendo absorvida no trato gastrointestinal. Pode também ser administrado por inalação. Quando administrado via oral, os efeitos adversos podem ser uma elevação reversível nos níveis séricos de bilirrubina, ferro e ácido úrico. Já quando administrada por via inalatória, os efeitos adversos são discretos, sendo verificado apenas, em alguns casos, irritação conjuntival.

Metisazona

Em humanos, este medicamento foi usado profilaticamente no combate à varíola. Há a perspectiva de sua utilização na medicina veterinária no combate da hepatite infecciosa, tanto canina quanto equina, e em bovinos, na doença respiratória. Sua administração pode ser por via parenteral ou oral. Com relação aos efeitos colaterais, os principais são vômitos e náuseas.

Interferon

É uma glicoproteína com peso molecular entre 16 e 32 mil dáltons; é uma substância espécie-específica, sendo assim, o uso deste medicamento na medicina veterinária é muito limitado. Entretanto, a vantagem do uso desta substância relaciona-se com sua pouca inespecificidade para combater os diversos vírus, dentro da mesma espécie animal. Atuam produzindo enzimas que inibem a tradução do RNAm viral em proteínas virais. Existem três tipos de interferons: α, β e γ, sendo que o mais usado é o α. Os melhores resultados obtidos com o uso deste medicamento é no tratamento do papiloma juvenil da laringe, afecções do aparelho respiratório, herpes zoster e simples, hepatite crônica por vírus B e alguns tipos de cânceres.

Levamisol

É um anti-helmíntico, com propriedades imunomoduladoras. Não tem efeito antiviral direto, atua estimulando células efetoras envolvidas no processo de imunidade de células imunomediadas; pode também aumentar, de forma indireta, a produção de anticorpos.

Fontes:
Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária – Helenice de Souza Spinosa, Silvana Lima Górniak e Maria Martha Bernardi. Editora Guanabara Koogan, 4° edição, 2006.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antiviral

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