Excreção de Medicamentos

Por Débora Carvalho Meldau
Basicamente, a excreção do medicamento ocorre após sua biotransformação, ou até mesmo, na sua forma inalterada.

No organismo humano, a eliminação de um fármaco ocorre através de diferentes vias: renal, biliar, intestinal, pulmonar e, menos frequentemente, suor, saliva, secreção nasal e leite (lactantes).

Embora a excreção renal seja a principal via, existem medicamentos que são predominantemente excretados pela bile e fezes.

Excreção Renal

A excreção renal compõe a principal forma de eliminação de medicamentos, especialmente os polares ou pouco lipossolúveis em pH fisiológico. Contudo, é válido ressaltar que, excluindo estes fatores intrínsecos ao medicamento, outros fatores podem interferir com sua excreção, como, por exemplo, alta ligação com proteínas plasmáticas (acima de 80%), que inviabiliza ao medicamento ligado atravessar os poros das membranas glomerulares.

Alguns medicamentos capazes de penetrar no líquido tubular, por meio da filtração glomerular e excreção tubular proximal, podem apresentar também uma baixa taxa de excreção. Este fenômeno pode ser explicado pela reabsorção que eles sofrem na região distal do néfron. Medicamentos com características de ácidos orgânicos fracos com pK ao redor de 3, como é o caso dos salicilatos, quando em pH ácido, encontram-se em maior proporção na forma molecular, sendo, portanto, facilmente reabsorvidos em grande quantidade, por difusão pelas membranas celulares, de volta para o interior do organismo.

O transporte de determinados fármacos e seus metabólitos por carreadores se dá no túbulo proximal do rim com gasto de energia. Estes sistemas podem apresentar certa inespecificidade, responsável tanto pela excreção de substâncias ácidas como básicas; todavia, estes mesmos sistemas apresentam saturabilidade.

A administração de dois medicamentos, simultaneamente, que funcionam como substrato para o mesmo processo de excreção mediada por transportador tende a prejudicar a excreção de um deles.

A eliminação de um medicamento pode ser expressa pela depuração (clearance) renal, que é definida como o volume plasmático no qual está contida a quantidade de substâncias que é retirada pelo rim por unidade de tempo.

A depuração renal varia consideravelmente para distintos medicamentos e é fundamental no estabelecimento da dosagem. É responsável por descrever a eficiência com que ocorre a eliminação de um fármaco em um organismo. Esta eliminação diz respeito à excreção da droga não modificada, ou seja, na sua forma original, pelas diferentes vias de excreção.  O clearance total é definido como a soma de todos os processos de eliminação.

O clearance renal de um medicamento é o resultado de três processos:

  • Filtração glomerular;
  • Secreção ativa nos túbulos proximais;
  • Reabsorção passiva da urina para o sangue ao longo do túbulo renal.

A reabsorção do medicamento dos túbulos renais de volta para o sangue fica a critério da capacidade deste de atravessar as membranas dos túbulos e retornar aos capilares sanguíneos, e também, do grau de ionização do medicamento no pH urinário. É conhecido que medicamentos não-ionizáveis no pH urinário atravessaram com maior facilidade as células dos túbulos e caiem novamente na corrente sanguínea. Deste modo, o clearance renal varia com a concentração do medicamento no filtrado, bem como com o pH urinário.

Excreção Biliar

Alguns medicamentos e seus metabólitos são excretados pela via hepática, por intermédio da bile.

Fatores que definem esta forma de eliminação incluem tamanho e polaridade da molécula do medicamento a ser excretado. Medicamentos com peso molecular alto apresentam grande probabilidade de serem eliminados pela bile. A excreção biliar possui importância também na eliminação de substâncias orgânicas polares que não são reabsorvidas pelo intestino.

Algumas substâncias liberadas pela bile, ao alcançarem o intestino, podem ser reabsorvidas. Isto dependerá da lipossolubilidade, ou ainda da conjugação destas drogas com glicuronídeos. Neste último caso, estes compostos podem passar por hidrólise causada pela enzima β-glicuronidase, produzida pelos microorganismos da flora bacteriana intestinal, e voltar a ser reabsorvidas pelo organismo. Esta excreção hepática, seguida de reabsorção intestinal, recebe o nome de ciclo entero-hepático de um medicamento. Este processo, quando acontece de forma significativa, é responsável, frequentemente, pelo retardamento na excreção total de certos fármacos.

Certas substâncias são inibidoras (ou indutoras) das enzimas hepáticas, causando assim, alteração na depuração total dos fármacos, como é o caso do fumo e alguns pesticidas. Deste modo, estas drogas-tóxicas, por meio da alteração da função enzimática, levam a biotransformação de determinados medicamentos, retardando a depuração total do medicamento biotransformado no fígado.

Fontes:
http://interacoesmedicamentosas.com.br/info/imexc.php
http://www.easo.com.br/Downloads/Biotransformacao%20e%20excrecao%20das%20drogas.pdf
Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária – Helenice de Souza Spinosa, Silvana Lima Górniak e Maria Martha Bernardi; 4° edição. Editora Guanabara Koogan, 2006.

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