Nacionalismo

Segundo Hobsbawm, no período de 1880 a 1914, o nacionalismo ganhou força com a elaboração de seu conteúdo ideológico e político identitário. De acordo com Hobsbawm, este período foi marcado pelo aumento da democratização presente em movimentos sociais e a intensificação do desenvolvimento industrial. Entretanto, Benedict Anderson compreende o nacionalismo como algo criado para homogeneizar espaços ligados a uma criação de sensação de pertencimento artificial.

Hobsbswam diz que o uso da palavra "nacionalismo" apareceu no final do século XIX para designar grupos ideólogos de direita na França e na Itália, que defendiam a expansão territorial e se manifestavam contra os estrangeiros, os liberais e os socialistas, cunhando a bandeira nacional. Este nacionalismo de direita cresceu em Estados-nação que reivindicavam o monopólio do patriotismo. Isto em parte teve impacto em territórios europeus que formaram-se ao longo do século XIX até à Primeira Guerra Mundial, como foi caso de Alemanha, Itália, Bulgária, Noruega e Albânia. Outros movimentos nacionalistas europeus que não possuíam antes Estado independente, e que assim se tornaram até o fim da Primeira Guerra Mundial, foram: Finlândia, Eslováquia, Estônia e Macedônia. Desta forma, para Hobsbawm, os "nacionalismos" se baseavam em estimular um sentimento comum a todos que se identificam com "sua" nação e, assim, podiam ser mobilizados e explorar este sentimento para finalidades políticas. Esta padronização ideológica era efetuada principalmente pela sensação de pertencimento num território. Alguns movimentos nacionalistas foram contrários aos movimentos migratórios e povos que possuíam uma identidade dissociada de um espaço, como era o caso dos judeus, pois os nacionalistas possuíam uma identificação nacional associada ao território.

Benedict Anderson compreende que o nacionalismo é parte de uma comunidade imaginada, pois mesmo que as pessoas não conversem, nem haja outro tipo de contato, mentalmente acreditam que haja conexão entre si, independentemente de esta comunidade ser “verdadeira” ou falsa. Anderson percebe que o sentimento nacionalista ganhou força quando houve a homogeneização da língua junto ao crescimento do sistema capitalista e do uso da imprensa. No século XVIII, pesquisadores iniciaram estudos de línguas, como o sânscrito, egípcio antigo, e línguas semíticas, para compreender a genealogia destes povos para conhecer estes lugares. No século XIX, filólogos, folcloristas e literatos europeus buscaram nas origens das línguas europeias uma forma de fundamentar os nacionalismos, estimulando, assim, o público leitor a se sentir parte de uma comunidade comum, unidos pela língua. Além disto, nos territórios na Europa, mesmo que fossem decididos por fatores linguísticos e culturais, estas comunidades possuíam fronteiras que mostram que estas nações são finitas territorialmente. Já nos continentes colonizados, como a África, América, Ásia e Oceania, a língua oficial não representava a cultura e língua dos povos nativos destes espaços, o poder político e da língua do colonizador demostra como a formação de nação é uma invenção dos colonizadores.

Anderson também percebe que os nacionalismos oficiais podem ser vistos como um procedimento para combinar a naturalização com a retenção do poder já existente, em particular para domínios poliglotas, acumulados desde a Idade Média na busca de manter-se no poder. Anderson nos mostra dois tipos de perspectiva de criação das comunidades imaginárias. A primeira, como foi a homogeneização da língua na Rússia durante o czarismo, em que o governo, de forma consciente, implantou à força a fusão da língua. Já no outro caso implantou-se de forma inconsciente, como os espanhóis ao tomarem o poder no continente americano, hispanizando quando convertiam os indígenas, pois achavam que eram pagãos e selvagens.

Desta forma, mesmo que a perspectiva de Hobsbawm e Anderson seja diferente, existe um dialogo sobre a questão do poder de certos grupos e certas culturas sobre outras. Hobsbawm nos dá uma perspectiva ligada a historiografia marxista e Anderson por uma vertente de história cultural. Ambos trazem contribuições para o tema.

Leia também:

Bibliografia:

HOBSBAWM, Eric J. A Era dos Impérios: 1875-1914. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015, 588 p.

ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2008, 330 p.

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