Demócrito

Mestre em Filosofia (UFPR, 2013)
Bacharel em Filosofia (UFPR, 2010)

O filósofo materialista Demócrito, assim como seu mestre Leucipo, seguiu o caminho da filosofia racionalista científica e é reconhecido como o filósofo grego que mais contribuiu para o desenvolvimento da posição atomista. Como não havia distinção clara entre filosofia e ciência na Grécia do século IV a.C., e como a posição atomista de Demócrito é muito semelhante aos desenvolvimentos do século XIX, acerca da compreensão da estrutura atômica, Demócrito é mais reconhecido como cientista do que filósofo, sendo considerado por autores modernos como o pai da ciência como a conhecemos hoje.

Como materialista, as perguntas que Demócrito se fazia eram direcionadas a entender quais circunstâncias causaram determinado evento, sem preocupar-se com o propósito ao qual o evento serve, o que é uma questão mais teleológica, aquela que trata da causa final, mais comum em filósofos como Platão e Aristóteles. A posição defendida por Demócrito era a de que tudo é resultado das leis naturais e portanto as questões da física podem ser explicadas por meio da compreensão da mecânica do mundo, interações entre elementos físicos, regidos pelas leis naturais.

Derivando de sua posição materialista geral, a posição de Demócrito acerca da natureza dos objetos do mundo dava conta de que tudo é composto de partículas indestrutíveis, entre as quais existe espaço vazio. Embora sejam geometricamente divisíveis, estas partículas são fisicamente indivisíveis, infinitas em quantidade e sempre estiveram em movimento. Quanto ao que hoje conhecemos como "peso atômico", a posição de Demócrito ainda é discutida, devido a pouca informação, mas se sabe que a sua posição comportava uma variedade de formas e tamanhos de átomos, chegando a afirmar diretamente a existência de átomos mais pesados que outros.

Esta variedade de átomos seria importante para explicar a diferença de solidez dos objetos no mundo. Demócrito utilizou os sentidos humanos para oferecer analogias que nos possibilitassem ter uma imagem dos átomos, distinguindo-os em formas, tamanhos e a maneira como se agrupam. Os átomos de Demócrito são sólidos inertes que interagem uns com os outros mecanicamente, alguns são pontiagudos, outros são lisos, escorregadios, e outros mais rígidos, quanto às conexões, supunha-se que possuíam ganchos e encaixes para possibilitar que se agrupassem. Por esta descrição, especialmente de sua forma de agrupação, podemos dizer que, a despeito do nome, os átomos de Demócrito são mais semelhantes ao conceito moderno de molécula do que ao conceito moderno de átomo. Embora moléculas sejam fisicamente divisíveis.

Quanto a sua origem, a posição atomista, como era comum aos materialistas da região de Mileto, deriva da simples observação e estudo da natureza. Lucrécio, em seu De rerum natura, explica as origens da posição atomista apelando para analogias como rochas que se desfazem com o tempo e terra que se torna lama ao entrar em contato com a água, este tipo de fenômeno teria levado filósofos como Demócrito a pensar que a mecânica do mundo seria baseada em decaimento e combinação. Ao mesmo tempo, observa-se a renovação da natureza, especialmente nos fenômenos relacionados a nascentes e crescimento de árvores, o que faz pensar que deve haver algo de perpétuo, algo indestrutível que subjaz estes objetos aos quais temos acesso e permite a renovação.

Embora tenha se dedicado aos aspectos mecânicos do mundo, historiadores posteriores consideram que Demócrito foi o filósofo que estabeleceu a estática como um campo de estudo, escrevendo relevantes trabalhos teóricos acerca da poesia e belas artes, embora nenhum destes trabalhos tenha sobrevivido até os dias atuais.

Referências bibliográficas:
REALE, Giovanni. História da filosofia grega e romana - Platão Loyola. 2010.

SMITH, William. "Philola'us". Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology. ed. (1870).

SPINELLI, Miguel. Filósofos Pré-Socráticos. Primeiros Mestres da Filosofia e da Ciência Grega. 2ª Ed., Porto Alegre: Edipucrs, 2003

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