René Descartes

Um dos mais importantes filósofos do período moderno, René Descartes foi um racionalista francês do século 17, geralmente lembrado pela ênfase na autoridade da razão em filosofia e ciências naturais, bem como pelo desenvolvimento de métodos de verificação. Para Descartes a filosofia seria como uma árvore, na qual a metafísica forma a raiz, a física o tronco e as diversas ciências os galhos, sendo que o mais alto grau de sabedoria estaria na moral, que pressupõem conhecimento das diversas ciências, sendo as principais a ética, a mecânica e a medicina.

René Descartes. Pintura de Frans Hals (entre 1649-1700).

René Descartes. Pintura de Frans Hals (entre 1649-1700).

Sua obra mais famosa, considerada a fundação da filosofia moderna, é o tratado Discurso sobre o Método, que produziu uma revolução na filosofia e ciência. A partir desta obra, Descartes procurou encontrar um conjunto de princípios que pudessem ser conhecidos sem qualquer dúvida. Para investigar tal possibilidade, procedeu análise por meio de um método próprio conhecido como "dúvida hiperbólica", ou "dúvida metafísica", mais frequentemente referido como "ceticismo metodológico", que consiste em rejeitar qualquer ideia da qual se possa duvidar, para então, após análise, restabelecer ou reconstruir estas ideias de modo a criar uma base sólida para o conhecimento.

Este processo levou a sua famosa conclusão "cogito ergo sub", traduzida como "penso, logo existo", pois ao eliminar tudo de que se podia duvidar chegou concluiu que a dúvida era evidência da existência do sujeito. Aceitando assim que, o pensamentos existe e ,em seguida, indivíduos pensantes existem, uma vez que o pensamento não pode ser separado daquele que pensa.

Uma vez que os sentidos já havia sido rejeitados como confiáveis, Descartes conclui que o único conhecimento do qual não se pode duvidar é "eu sou uma coisa pensante".

Desta forma, o autor estabelece um sistema baseado exclusivamente no raciocínio dedutivo, guiando-se pela razão, que rejeita a percepção como fonte primária de conhecimento. Posição que seria atacada e contestada fortemente pelos filósofos do Empirismo Britânico, especialmente John Locke e David Hume.

No entanto, considerando que as percepções do mundo externo, em comparação ao mundo interno, vem a nós sem que as procuremos ativamente, muitas vezes mesmo contra nossa vontade, Descartes aceita que deve haver algo para além da mente humana, já que a origem de tais percepções é externa aos sentidos. Considera portanto que, tais percepções devem ser evidência da existência do mundo externo, rejeitando assim o ceticismo acerca do mundo exterior. A argumentação que defende este ponto está intimamente ligada a prova ontológica para a existência de um Deus benevolente, na medida em que Descartes defende a impossibilidade da mente humana ser tomada por um gênio maligno que faça os sentidos nos engajarem.

Descartes foi ainda um defensor do dualismo mente/corpo, mas diferente de defensores anteriores do dualismo, Descartes defendeu que a relação não é unidirecional. Sua hipótese era de que, o corpo funciona como uma máquina enquanto a mente é imaterial e não segue as leis da natureza. Mente e corpo seriam conectados pela glândula pineal, através da qual a mente comanda o corpo, mas também o corpo influência a mente, de forma que a relação é bidirecional, sendo possível explicar os momentos em que agimos pelas paixões.

No campo da ética, Descartes defendeu que a virtude consiste no raciocínio adequado, que deveria guiar nossas ações, sendo que a condição mental, que hoje chamaríamos de saúde mental, e o conhecimento em geral possuem ambos grande influencia neste processo, motivo pelo qual aconselhou ainda que um estudo completo da moral deveria incluir o estudo do corpo. Argumentou em favor da existência de um Deus, mas também da vontade livre e portanto da responsabilidade humana por suas ações.

Referências bibliográficas:
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