Raciocínio dedutivo

Mestre em Filosofia (UFRJ, 2012)
Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação (UFF, 2015)
Graduado em Filosofia (UFRJ, 2010)

A forma como pensamos e chegamos a conclusões não são importantes apenas para a Psicologia e para as teorias do aprendizado, mas foram e continuam sendo ainda discutidas em Filosofia, na medida em que são meios pelos quais se pretende alcançar conhecimento. Há vários tipos de raciocínios utilizados nos diversos campos do saber, e a Lógica, entendida como o estudo das regras gerais e emprego de inferências que estabelece quais raciocínios são válidos e quais são inválidos.

“A Lógica provê ferramentas críticas com as quais podemos fazer avaliações sólidas de inferências [...] Assim que uma inferência é feita, pode ser transformada em um argumento, e se pode aplicar lógica para determinar se ela está correta. A Lógica não nos diz como fazer inferências, mas ela nos diz quais inferências nós devemos aceitar. (SALMON, 1976, p. 13, grifo do autor, tradução nossa)

Argumentos ou raciocínios dedutivamente válidos (raciocínio dedutivo) são aqueles nos quais a conclusão se segue necessariamente das premissas. A validade está relacionada à estrutura ou à ordem das premissas, de modo que não seria possível partir de premissas verdadeiras e obter uma conclusão falsa. Dizemos, assim, que essa forma de raciocínio preserva a verdade.

Todo mamífero possui pulmão; (premissa)

Os golfinhos são mamíferos; (premissa)

Os golfinhos possuem pulmões. (conclusão)

Esses raciocínios parecem óbvios, pois apenas esclarecem o que já está contido implicitamente nas premissas e não oferecem uma conclusão considerada nova ou fascinante, por mais que possam esclarecer algo a quem ainda não conhece o assunto abordado. Pode-se dizer que não ampliam o conhecimento.

Em todo caso, partindo de fatos ou verdades, podemos construir um argumento válido, a saber, cuja conclusão será necessariamente verdadeira se, e somente se, as premissas forem verdadeiras. Há dois modelos amplamente usados para formular esses argumentos.

Modus ponens

Se p, então q.
p.
Logo, q.

Modus tollens

Se p, então q.
Não q.
Logo, Não p.

Para utilizar essas estruturas lógicas, devemos substituir as letras ‘p’ e ‘q’ por proposições, a saber, afirmações ou negações que podem ser verdadeiras ou falsas. Já que o objetivo é obter um argumento válido, serão escolhidas as sentenças que se acredita serem verdadeiras. Não basta, entretanto, escolher informações que não possuem relação lógica e que sejam incoerentes ou ambíguas. Se ocorrer algum desses erros, não haverá implicação entre as proposições e teremos apenas um conjunto desconexo de informações.

O filósofo cristão William Craig apresenta, em muitos debates e textos, o seguinte argumento:

Se Deus não existe, valores e deveres morais objetivos não existem;

Valores e deveres morais objetivos existem;

Portanto, Deus existe.

Percebe-se que o argumento possui validade, mas sua conclusão é verdadeira? Será verdadeira apenas se as premissas forem verdadeiras. Distingue-se, assim, a validade de um argumento de sua veracidade. Há apenas duas formas de criticar um argumento dedutivo: (a) questionar a verdade das premissas e (b) questionar sua validade lógica.

É relevante perceber que a conclusão de argumentos dedutivamente válidos não é aceita por uma relação emotiva ou cultural, por exemplo, que se possa estabelecer entre o conteúdo do argumento e quem lê o argumento. O raciocínio que conduz à conclusão do argumento também não é eliminativo. Não fosse o argumento válido, não teríamos uma conclusão que se segue necessariamente das premissas.

O filósofo grego Aristóteles, já na Grécia antiga, percebeu a necessidade de especificar quais raciocínios e relações entre premissas conduzem a conclusões válidas e quais implicam em argumentos inválidos. Com esses estudos, nomeados de lógica silogística, ele propôs vários princípios para evitar o erro e alcançar verdades que utilizamos até hoje.

Bibliografia:

BECKWITH, Francis J.; CRAIG, William L., MORELAND, James. P. Ensaios apologéticos: Um estudo para uma cosmovisão cristã. Tradução de José Fernando Cristófalo. São Paulo: Editora Hagnos, 2007.

MORTARI, Cezar A.. Introdução à lógica, 1ª reimpr.. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2001.

SALMON, Wesley C. Logic, 2nd ed.. New Jersey:Prentice-Hall, 1973.

WALTON, Douglas N.. Informal Logic: A handbook for critical argumentation, 18ª imp.. New York: Cambridge University Press, 2005.

Arquivado em: Filosofia