Grécia Antiga

Mestrado em História (UDESC, 2012)
Graduação em História (UDESC, 2009)

A Grécia Antiga que conhecemos como o berço da civilização ocidental, da democracia, do teatro ou onde viveram filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles, é muito diferente do país Grécia que conhecemos atualmente. Para os gregos antigos a relação com o território era muito diferente do nosso conceito atual, pois para eles onde havia um grego ali estaria a Grécia ou Hélade como chamavam. Ser grego ou heleno significava falar o grego, todos os que não falavam a língua, portanto, eram considerados bárbaros, palavra que deriva de “bar-bar-bar” ou balbucios incompreendido das línguas dos outros povos, forma etnocêntrica de tratar os demais povos que para os gregos antigos serviam apenas para os seguintes propósitos: comércio de metais e alimentos, pilhagem durante as guerras e a obtenção de mão-de-obra escravizada.

Vista do Partenon na Acrópole de Atenas. Foto: Sven Hansche / Shutterstock.com

A Geografia

A Grécia Antiga pode ser dividida pelo menos em cinco partes: Grécia continental, Grécia peninsular, Grécia Insular, Grécia Asiática e Magna Grécia (estes dois últimos são territórios mais longínquos que nos possibilitam perceber a migração dos gregos).

A Grécia continental também é chamada de península Balcânica era composta por terras férteis banhadas pelos mares, Egeu ao leste, Jônico a oeste e Mediterrâneo ao sul, cercadas de cadeias montanhosas o que influenciou muito a navegação marítima em todo o território.

A Grécia peninsular também conhecida de Peloponeso, ao sul da península Balcânica, tem como principal rio, o Eurotas, que forma um vale cercado de montanhas. As terras eram férteis e havia muitos minerais, o que movimentava a economia dos seus habitantes. Mais ao sul se encontra a Lacônia, área pantanosa e repleta de desfiladeiros onde tinham poucas áreas férteis que não favoreceram o comércio e desencorajaram a navegação marítima.

A Grécia Insular estava situada ao longo do mar Egeu, tendo grandes ilhas como Creta e ilhas um pouco menores, como Rodes, Lesbos e Delos. As ilhas têm aspectos geográficos semelhantes, muito montanhosas com vários portos naturais.

A Grécia Asiática localizada na Ásia menor, região onde atualmente está a Turquia que os gregos conheciam como Jônia, o lado mais ao leste do mar Egeu, tinha uma das cidades mais conhecidas da antiguidade que era Tróia, a mesma que foi relatada nos escritos de Homero a Ilíada e a Odisseia.

A Magna Grécia este situada no Mar Mediterrâneo ao sul da península Itálica e na ilha da Sicília, que futuramente os colonos gregos presentes nesta região iriam ajudar a formar a civilização Romana.

Períodos da História

A história da Grécia Antiga pode ser entendida em cinco períodos: Período Micênico do século XV a.C. início da expansão micênica à até o século XII a.C. com a chegada dos povos indo-europeus; O Período Homérico do século XII a.C. ao século VIII a.C., período em que foi criada as obras de Homero: a Ilíada e a Odisseia; Período Arcaico do século VIII a.C. ao século VI a.C., início da expansão grega; Período Clássico que vai do ano 508 a.C. quando a Democracia é estabelecida em Atenas até o ano 338 a.C. quando a Grécia é dominada pelos macedônios; Período Helenístico do ano 336 a.C., quando Alexandre sobe ao trono macedônico até o fim do império no ano 323 a.C. com a morte de Alexandre, o Grande.

População

A região da Grécia antiga é habitada por populações originárias do sudoeste asiático há pelos menos 4000 anos a.C. e já praticavam atividades agropastoris. Os antepassados dos gregos só foram chegar na região por volta do fim do terceiro milênio a.C., estes falavam uma língua indo-europeia que futuramente se tornaria o grego e se estabeleceram na parte insular do Mar Egeu e passaram a se misturar com os povos que ali habitavam.

Os primeiros gregos eram conhecidos como jônios e submeteram todos os povos que ali viviam a escravidão por meio da violência. Os jônios eram exímios militares e aprenderam muito com as populações dominadas, construíram várias cidades fortificadas na região e deixaram o comércio marítimo de lado. Por volta do ano de 1580 a.C. foram expulsos da região pelos gregos aqueus eólios e encontraram refúgio na Grécia peninsular, mais precisamente na região que era conhecida como Ática.

Originado dos Bálcãs, os aqueus eram povos guerreiros que que dominaram a região de Creta e área continental por volta do ano de 1400 a.C. Os aqueus, outro grupo grego, eram também exímios militares que se destacaram muito nas navegações marítimas, por realizarem várias guerras com a parte oriental da Grécia no final do segundo milênio a.C., onde está situada a cidade Tróia, serviram de inspiração aos escritos de Homero a Ilíada e Odisseia. Os aqueus deram origem também a civilização Micênica.

Os dórios foram os últimos gregos a se estabelecerem no território por volta do ano 1200 a.C., e ficaram na região de Creta e no Peloponeso, para onde trouxeram a metalurgia do ferro e a cerâmica. Eram guerreiros, que loteavam as terras em partes iguais e submetiam os povos conquistados à escravidão.

Essa mistura de povos indo-europeus formava então a civilização Grega, cujo os as várias cidades-estados falavam a mesma língua, mas possuíam especificidades na cultura e na economia.

A civilização Grega

A civilização grega se constitui como tal entre os Períodos Arcaico e Clássico, entre os séculos VIII a.C. e VI a.C. No século VII a.C as os gregos formaram várias póleis (plural de pólis, cidade em grego) ao longo do Mar Mediterrâneo, e passaram a competir com o comércio marítimo com os povos do Oriente, principalmente os fenícios e os persas. A cidade (pólis) era constituída basicamente de um centro urbano com uma área rural no seu entorno, às vezes, haviam outros povoados que pertenciam a esta pólis. As cidades eram definidas pelas atividades do seu povo (demos), pois suas práticas culturais, tais como a crença em uma divindade protetora, e práticas econômicas, tais como agricultura, mineração e comércio, moldavam a identidade de seus habitantes.

Durante o período Arcaico, a economia era baseada na agricultura e na pecuária. As propriedades e os animais pertenciam aos nobres que, às vezes, faziam o papel de reis, estes controlavam não só as terras, mas o poder judiciário e o exército. Portanto, neste período os gregos viviam em um sistema aristocrático, ou oligárquico, pois os mais ricos detinham o controle das decisões políticas, jurídicas e econômicas. Além dos nobres, nesta sociedade viviam também os escravizados, que trabalhavam nas propriedades, os trabalhadores rurais livres, os artesãos, e os pequenos proprietários de terra.

A expansão para outros territórios fez com que os gregos se tornassem especialistas na navegação marítima e no comércio de artesanatos, principalmente as cerâmicas e armas, o que fez com que eles começassem a usar moedas transações econômicas, fato importante para economia, pois facilitou as trocas comerciais e também para política, pois as moedas passaram a ser particularmente emitidas nas cidades-estados.

As armas mais baratas possibilitaram que os cidadãos livres e pequenos proprietários de terra também se armassem e passassem a proteger as póleis. Este fato fez com que agissem politicamente, pois começaram a reivindicar direitos junto aos governantes das cidades. Estes pedidos geraram guerras-civis, que levaram aos nobres convocarem os tiranos (“senhores” em grego) a redigir leis, como na pólis Atenas, para assegurar a estabilidade entre as classes sociais. Foi neste que contexto, que várias cidades marítimas que comercializavam produtos, entre os anos 650 e 500 a.C, passaram a desenvolver o governo do povo, “democracia”. Já em outras cidades utilizava-se os governos aristocráticos (“governo dos melhores”, nobres) e oligárquicos (“governo de poucos”), dando a entender que no século VI a.C, as cidades-estados gregas eram distintas umas das outras.

Entre as principais póleis gregas, que influenciavam todas as outras cidades, ou seja, eram modelos a serem seguidas figuravam Atenas e Esparta. A primeira que era voltada para o desenvolvimento humano, pelo víeis da democracia, filosofia e arte, e a segunda, potencializava o autoritarismo aristocrático e o militarismo.

Legado grego

Dos gregos herdamos muitas influências em várias áreas do conhecimento: História, Filosofia, Geografia, Literatura, Artes, Arquitetura, Teatro, Medicina, Astronomia.

A História, foi escrita com estas palavras por Heródoto de Halicarnasso, que viveu no século V e escreve a Obra Historia, onde relatou vários costumes e lugares por onde passou. O termo História vem da palavra grega “histor” que quer dizer investigação, dando origem assim a disciplina História. Por isso, atribui-se a Heródoto o título de pai da história.

A filosofia grega é marcada por grandes nomes como Sócrates, Platão e Aristóteles a partir do século IV a.C, que viveram em Atenas, produzindo a dúvida com aqueles que conversavam. Estes criticavam as superstições, os preconceitos e todo tipo de diferenças. Sócrates, não deixou registros escritos, e podemos conhece-lo apenas pelos escritos de Platão e Xenofonte, segundo os autores, era um autêntico ateniense de vida simples, vivia para cidade e para questionar os seus moradores. Com sua frase célebre “Só sei que nada sei” funda o método baseado nos questionamentos, foi base para várias ciências ao longo do tempo, mostrando que com o acúmulo de conhecimento passamos a saber cada vez menos, pois outras possibilidades vão surgindo. Já Platão era membro da aristocracia ateniense, e não poupou em seus escritos as críticas a corrupção da política ateniense. Platão fundou a Academia, uma escola voltada aos estudos de filosofia. Aristóteles foi o aluno mais promissor de Platão, e após a sua morte assumiu o controle da Academia. Anos mais tarde saiu de Atenas e foi professor de Alexandre, filho de Felipe II rei da Macedônia. Após Alexandre ter subido ao trono e ter dominado a Grécia, Aristóteles regressa a Atenas onde monta o Liceu, uma escola preparatória, onde escreveu inúmeras obras sobre vários temas. Tanto Platão como Aristóteles formaram as bases do pensamento ocidental medieval e modernos.

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Hecateu de Mileto, passou a pensar o mundo de uma forma mais racional deixando de lado as explicações mitológicas, desta forma tantos os fenômenos naturais como os sociais começaram a ser explicados pelas experiências do dia-a-dia, desenvolvendo assim a Geografia.

Um dos expoentes da Literatura, foi o poeta Homero que viveu Entre os séculos VIII e VII a.C. Coube a ele registrar da tradição oral os poemas Ilíada e Odisseia, que contavam a guerra entre os gregos e os troianos e as viagens de Odisseu (Ulisses), que navegou pelo mar por dez anos antes de regressar a sua casa. As poesias de Homero expiraram e expiram as formas literárias.

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As Artes e a Arquitetura tiveram um grande desenvolvimento no mundo grego. A beleza era algo muito apreciado entre os gregos, e as proporções das partes dos corpos nas obras de arte imprimiam um padrão próximos a perfeição. A arquitetura, era influenciada pelas proporções, tanto em construções que usavam colunas que até hoje aparecem em alguns prédios, bem como um sistema ortogonal urbano, que influencia as cidades de hoje tais como Brasília e Nova Iorque.

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O Teatro se desenvolveu primeiramente em rituais em forma de danças para o deus Dionísio. Mesmo que posteriormente o teatro tenha se distanciado dos temas religiosos, como o drama e comédia, a religiosidade sempre permaneceu. Vários foram os escritores do tetro grego, e suas peças são encenadas até os dias de hoje: Édipo rei e Antígona de Sófocles, de Eurípedes A Medéia, e Prometeu Acorrentado de Esquilo são as principais peças.

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Hipócrates foi o principal nome da medicina na Grécia Antiga. Ele observou que as doenças eram causadas por motivos naturais, desvinculadas dos mitos e do sagrado. Até hoje é comum que os juramentos de formatura entre os médicos seja, o juramento de Hipócrates, onde prometem fazer a medicina honestamente.

No campo da astronomia Tales de Mileto e Pitágoras fizeram grandes descobertas, o primeiro sobre os eclipses e o segundo a respeito do formato esférico dos corpos celestes.

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Os gregos criaram sua própria cultura, que na influência até hoje, porém foram influenciados pelas populações do Egito e da Mesopotâmia, portanto todos as bases que os gregos encontraram estavam dispostas em outros povos e civilizações, desta forma podemos verificar como o mundo antigo é repleto de trocas culturais, onde as origens são desprovidas de exatidão e inconclusas.

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Referência:

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.

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