Literatura grega antiga

Graduada em História (USP, 2011)

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Na Antiguidade a oralidade era predominante, mesmo entre os gregos, obras que hoje são consideradas clássicos da literatura grega antiga, acredita-se que incialmente surgiram como histórias orais e, apenas posteriormente, copiladas em textos.

Ocorre que o domínio das letras não era amplo, mesmo entre os cidadãos e/ou aqueles considerados de uma aristocracia, por isso a dificuldade da disseminação das obras escritas. Mas aquelas que foram redigidas e se perpetuaram ao longo dos tempos e chegam a nós ainda hoje, fazem parte de um seleto grupo daquilo que podemos chamar de literatura grega.

Aristóteles, antigo pensador ateniense, em uma de suas obras, “Poética”, levanta duas questões importantes acerca da literatura: a primeira é a ideia de mimesis, ou seja, a ideia de imitação, como escreve no capítulo IV: “A tendência para a imitação é instintiva no homem, desde a infância. Neste ponto distinguem-se os humanos de todos os outros seres vivos: por sua aptidão muito desenvolvida para a imitação. Pela imitação adquirimos nossos primeiros conhecimentos, e nela todos experimentamos prazer.”. Já a segunda questão é quanto ao transcorrer da história: o narrador literário tem o poder de criar, imaginar uma história, diferentemente do historiador que é aqueles que narra os fatos.

Ainda nesta obra, Aristóteles descreve aquilo que considera os diferentes gêneros literários, a saber: a poesia, a epopeia, a poesia trágica, a comédia, a poesia ditirâmbica (essa seria uma variação em que os versos são acompanhados por um instrumento musical, geralmente, uma flauta, tradicionalmente associada na mitologia grega a Pã).

É provável que ao listar entre os gêneros literários a poesia trágica e a comédia, sejam uma referência aos textos teatrais. E algo deve ser ressaltado quanto ao caráter das tragédias gregas: seu caráter universal.

A universalidade dessas obras pode ser notada pelo fato de que são atemporais e poderiam se dar em qualquer lugar do espaço, fosse na Grécia de Sófocles do século V a.C. ou Brasil 2978, por exemplo.

“Políticos que se refugiam na lei para defender sua conduta imoral. Pais que engravidam ou matam as próprias filhas. Sacerdotes que cometem o pecado que mais condenam. Atletas que sofrem contusões e retornam para cumprir façanhas ansiadas pela cidade. Jovens que explodem em violência contra seu ambiente social. Guerras que são declaradas por orgulho e não por defesa. Doenças que afligem os bons no apogeu de sua forma. Qualquer fonte atual de notícias, em papel ou meio eletrônico, está repleta de histórias como essas que os clássicos gregos contam há 25 séculos. Não espanta, portanto, que novas traduções e estudos dessas peças saiam periodicamente nos mais diversos países e, cada vez mais, no Brasil dos últimos anos. As tragédias gregas são como Filoctetes, o craque do arco e flecha, que vive ilhado com uma ferida que jamais cicatriza e é procurado pelo enviado de Odisseu, Neoptólemo, para ajudar na vitória da Guerra de Troia. A civilização sempre retorna às perícias e às dores desses textos para renovar percepções e rediscutir valores.” (Piza, 2009).

Todos os exemplos elencados anteriormente são exemplos de enredos de antigas tragédias gregas que não perdem a sua atualidade, basta usarmos o exemplo de Filoctetes, quantos grandes atletas não são reconhecidos no esporte por um momento de superação após uma lesão, e quantos destes não conseguiram feitos inimagináveis de superação trazendo títulos as suas categorias?

Seja como for, a influência da tradição cultural grega é ainda muito presente na civilização ocidental.

Bibliografia:

ARISTÓTELES. Poética. Domínio público. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action&co_obra=2235, acesso em 30 dez. 2021.

PIZA, Daniel. O teatro do mundo. Jornal O Estado de São Paulo, 25 abr. 2009 (versão digital). Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,o-teatro-do-mundo,360533, acesso em 30 dez. 2021.

SANTOS, Adilson. A tragédia grega: um estudo teórico. Revista Investigações, vol. 18, nº1, 2015. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/INV/article/view/1501, acesso em 30 dez. 2021.

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