Sentença

Mestra em Letras e Linguística (UFG, 2016)
Licenciada em Letras-Português (UFG, 2009)

Em termos linguísticos, Sentença é o mesmo que Frase. Trata-se de uma unidade mínima de comunicação que produz efeitos de sentidos em um contexto específico. As sentenças podem ser formadas por uma ou por várias palavras, podendo ou não apresentar sujeito ou verbo.

Observe alguns exemplos de sentenças

  • Ui!
  • Gol!
  • Alô?
  • Mas por quê?
  • Quanta manha desse menino...
  • Que pena!
  • Como assim?
  • Tenho que fazer a lição de casa.
  • Tchau.
  • Fogo!
  • Estes pães estão muito bons.
  • Parecia que estava chovendo, mas não estava.
  • Fuja!
  • Atchim!

Características das Sentenças

A Sentença pode ser definida por seu propósito comunicativo, ou seja, comunicar uma informação. Sua etimologia vem do Latim sententia ou sentire, que remetem ao sentido de: significado, opinião, ser o pensamento de alguém. Por isso, é possível inferir que a sentença é um enunciado capaz de transmitir, de traduzir sentidos completos em um contexto de comunicação específico a partir do uso de palavras, faladas ou escritas, e que apresenta a seguinte organização:

  • As sentenças podem ser formadas por uma única ou por várias palavras.
  • As sentenças podem ser constituídas apenas por uma palavra ou por uma sequência delas.
  • Podem apresentar um verbo/locução verbal ou não.
  • Na fala, o início e o final das sentenças são marcados pela entoação característica.
  • Na escrita, o início e o final da sentença são marcados:

No início da sentença

Primeira letra da palavra deve ser escrita maiúscula.

Exemplos:

  • Hoje vou assistir ao jogo, que será transmitido às 21h.
  • Amanheceu.
  • Foi você?

No final da sentença:

Todas as sentenças são encerradas por algum dos sinais de pontuação, como: . ! ? … :

Exemplos:

Sentenças declarativas:

  • Mariana certificou-se de que estava tudo pronto.
  • Que preguiça...
  • – A mãe falou:
  • É hora de dormir.

Sentença exclamativa:

  • Que maravilha, as visitas chegarão às 13h!
  • Quero!
  • Suba rápido!
  • Feliz aniversário!

Sentença interrogativa:

  • Que horas são?
  • Quem sabe um dia?
  • Aninha, você não está se sentindo bem?
  • O que parece?

Organização das sentenças

Quando as sentenças são construídas com mais de uma palavra, é preciso que os elementos constituintes sejam dispostos em uma sequência apropriada para que o efeito de sentido gerado seja aquele pretendido pelo locutor. A distribuição inapropriada ou incorreta das palavras nas sentenças construídas pode gerar falhas na comunicação e o risco de incompreensão dos sentidos por parte dos interlocutores.

Observe:

  • Você me irrita, mas eu te amo.
  • Eu te amo, mas você me irrita.

As duas sentenças possuem as mesmas palavras, porém estão dispostas me maneira diferente. É possível perceber que, na primeira, embora irritado, o sujeito continua amando; já na segunda, embora o sujeito ame, a outra pessoa o irrita. De maneira sutil, podemos observar que a primeira sentença poderia ser utilizada em um diálogo no qual dois namorados estivessem reatando o relacionamento, já a segunda, caberia em um contexto contrário, o de separação.

Ambiguidade

A ambiguidade é uma sentença que possui mais de um sentido, o qual só pode ser acessado no momento da enunciação, em um contexto específico.

Observe:

  • O cachorro do vizinho é bonito.

A forma como a sentença é organizada, admite dupla interpretação, caso o contexto de produção não esteja explícito/específico. Em primeira análise, a palavra “cachorro” pode ser admitida como um substantivo, um animal doméstico. Em segunda análise, a palavra cachorro pode admitir outra conotação e atuar como sendo o sujeito adjetivado da oração: “o cachorro do vizinho”, nesse caso, quem seria um “cachorro” (cafajeste, safado) seria o vizinho.

  • Essa manga é perfeita!

O substantivo manga admite sentidos diferentes, dependendo do contexto. Isso porque a palavra “manga” pode ser definida como um tipo de fruta e, portanto, ser perfeita. Este substantivo também pode assumir outro significado, que seria a manga, parte de uma blusa ou camisa. Há também uma conotação bastante específica para a palavra manga, a qual é utilizada em algumas regiões do nordeste brasileiro como o verbo “mangar”, ou seja, zoar, curtir com a cara de alguém.

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