Clonagem Humana

Por Ana Lucia Santana
A clonagem é a imitação perfeita de um mecanismo de reprodução assexuada – ato multiplicador realizado por organismos unicelulares ou portadores de poucas células, sensíveis a qualquer mudança no meio ambiente. Este método reprodutor gera seres geneticamente idênticos à matriz utilizada.

O processo da clonagem humana é ainda amplamente controvertido e considerado por muitos um procedimento despojado de ética e de moralidade. Grande parte das religiões considera esta prática criminosa, pois só a Deus cabe a criação dos seres vivos. A clonagem tem sido discutida com mais ardor nos últimos tempos, em conseqüência dos debates inflamados que se desenvolveram em torno da legalização ou não das células-tronco. Estas surgem logo depois da fecundação, quando o resultado da união do óvulo e do espermatozóide se auto-reproduz, formando até oito cópias de si mesma. Depois de três dias, já se formaram pelo menos cem células dispostas em grupo, compondo o blastocisto, que então se instala no útero materno.

Posteriormente, estas células se dividem funcionalmente. As que estão na esfera exterior formam a placenta e a bolsa amniótica. As localizadas interiormente, mais adaptáveis, se metamorfoseiam nos mais diversos tecidos, que comporão o novo organismo. Estas são conhecidas como as células-tronco, que deixarão de exercer essa função assim que continuarem a se multiplicar.

O caso da ovelha Dolly comprova que é possível restituir às células adultas o poder de, uma vez novamente programadas para tal, se transformar mais uma vez em células-tronco. Foi esse fator que permitiu a criação deste clone, a partir do DNA extraído de uma célula mamária madura. Quando se compreende este processo, torna-se mais fácil entender de que forma se distinguem as várias modalidades de clonagem identificadas até agora.

A clonagem natural, fruto das reproduções assexuadas, ocorre de acordo com as leis da própria Natureza, em bactérias, alguns mamíferos, como o tatu, e raramente nos gêmeos univitelinos. Os seres resultantes desta reprodução possuem a mesma riqueza genética.

Na clonagem induzida artificialmente tira-se da célula seu núcleo e do óvulo sua membrana. O produto desta experiência é inserido em uma barriga alugada para gerar o feto resultante, ou mantido em um laboratório para a transformação em células-tronco.

A clonagem reprodutiva pressupõe que uma célula formadora de tecidos – conhecida como somática – seja transportada para o interior de um óvulo esvaziado de seu conteúdo, ou seja, dos cromossomas e de seus genes. Uma vez unidas estas células, será gerado um futuro embrião, que se desenvolverá se for inserido no útero materno. Há problemas com esta técnica, pois esta transferência celular pode provocar distúrbios estressantes, chegando a causar uma alta taxa de mortalidade entre os ovos que recebem as células somáticas.

Durante a clonagem embrionária, mais experimentada em animais do que em humanos, reproduz-se o feto pesquisado, para que assim se obtenha gêmeos, trigêmeos, entre outros, procurando imitar o que se percebe na Natureza.

A clonagem terapêutica é a mais debatida atualmente, pois as células nela produzidas não serão direcionadas para o ventre materno, e sim a pesquisas que visam a utilização de células-tronco, para a formação de tecidos iguais aos daquele que doou a célula adulta. Estes eliminam qualquer possibilidade de rejeição em um provável transplante. O procedimento é semelhante ao da clonagem reprodutiva, porém com outros fins que não a gestação de um bebê.

A clonagem humana oferece benefícios e riscos que têm sido pesados e avaliados exaustivamente nos debates realizados pelas mais variadas esferas da sociedade e do conhecimento. Vários países, como Espanha, Grécia e Itália, proíbem qualquer pesquisa neste sentido, enquanto outros, como Portugal, nem mesmo concebem a idéia da realização de uma clonagem de embrião humano. Já nos EUA foram efetuadas experiências anteriores, com fins acadêmicos.