Sistema Rh e MN

Por Fabiana Santos Gonçalves
Sistema RH

Landsteiner, por volta de 1940, injetaram hemácias de um grupo de macacos da espécie Macaca rhesus em coelhos e com isso obtiveram um anticorpo chamando anti-Rh. Injetaram esses anticorpos em pessoas e observaram que em algumas esse anticorpo provocava reação de aglutinação das hemácias. Se as hemácias aglutinavam na presença do anti-Rh, é porque possuíam a aglutinina correspondente. Essas pessoas foram chamadas de Rh+ por possuírem as aglutininas. Em pessoas que não ocorria aglutinação não há aglutininas, e estas foram chamadas de Rh-.

Aglutinina Fator Rh
presente Rh +
ausente Rh -

Ao contrário do sistema ABO, o sistema Rh não possui aglutininas anti-Rh (anticorpos anti-Rh). Para uma pessoa produzir esses anticorpos, ela precisa ser sensibilizada, ou seja, receber hemácias Rh + em sua circulação sangüínea. Essa situação faz com que o organismo produza anticorpos contra esse antígeno (Rh) e crie uma memória. Essa sensibilização pode ocorrer durante uma transfusão sanguínea ou quando a mão Rh – tem um filho Rh +.

Genética do sistema Rh

Os alelos R e r condicionam a produção do antígeno que determina o fator Rh.

Alelo Função
R Codifica a produção do antígeno
r Não codifica produção de antígeno

O alelo R é dominante em relação ao alelo r, portanto, existem três combinações genotípicas possíveis:

Genótipo Fenótipo
RR e Rr Rh +
rr Rh -

Eritrobastose fetal ou Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN)

A eritroblastose fetal é a destruição das hemácias do feto, podendo levá-lo à morte. Esse processo ocorre quando a mãe é Rh – e seu sangue entra em contato com o sangue do bebê, que possui Rh +.

Durante a gravidez, principalmente na hora do parto, quando ocorre ruptura da placenta, há passagem de hemácias fetais para a circulação sanguínea da mãe. Esse contato provoca uma sensibilização, e o sangue da mãe passa produzir anticorpos contra o fator Rh e adquire uma memória. Durante a primeira gravidez essa sensibilização é pequena e não chega afetar o bebê. Na gestação seguinte, se não forem tomados os cuidados necessários, os anticorpos maternos atravessam a placenta e destroem as hemácias do feto, e esse processo continua mesmo após o nascimento. Com isso há liberação de células sanguíneas imaturas, chamadas eritroblastos, na circulação sanguínea do bebê. A icterícia (aspecto amarelado) é devido à produção de bilirrubina pelo fígado, processo que ocorre após a destruição das hemácias.

Este processo pode ser evitado se a mãe receber uma injeção intravenosa de soro contendo anti-Rh, logo após o nascimento do primeiro filho. Esse soro provoca a destruição das hemácias com Rh + (hemácias do filho) que entraram na circulação materna, evitando a sensibilização e produção de anticorpos.

Fator MN

Em 1927, Landsteiner e Levine descobriram a presença de outros dois antígenos no sangue humano: o antígeno M e o antígeno N. Este sistema MN não apresenta restrições em transfusões sanguíneas, pois não apresentam anticorpos correspondentes, portanto não provocam aglutinação.

No sistema MN, os grupos sanguíneos são determinados por um par de alelos co-dominantes.

Genótipo Antígenos Fenótipo
AgMAgM ou MM Antígeno M M
AgNAgN ou NN Antígeno N N
AgMAgN ou MN Antígenos M e N MN

Fontes
Amabis, José Mariano. Biologia. Volume 3. Editora Moderna.