Apartheid

Graduada em História (Udesc, 2010)
Mestre em História (Udesc, 2013)

O Apartheid foi uma política de segregação social ocorrida na África do Sul entre 1948 e 1994, com a ascensão do Partido Nacional, cujo governo foi composto por uma minoria branca. O país foi governado por esta minoria que adotou desde 1948 uma política de segregação racial.

Com o fortalecimento do regime entre as décadas de 1960 e 1970, uma forte oposição se fez presente. O Partido Nacional tinha como parâmetro as ideias de superioridade racial branca e para manutenção de seu governo e desse sistema investiu em vigilância e repressão constantes.

Os casamentos entre brancos e negros eram proibidos e o ato sexual de brancos com não brancos, se descobertos, eram punidos com prisão. Somente brancos atuavam nos cargos diretivos do governo, no parlamento e eram eles os proprietários de terras produtivas.

Já aos negros cabia o trabalho como mão de obra barata nas fazendas, nas minas e na indústria. Além disso a circulação pelo país era restrita e controlada por diversos documentos de identificação ou passes e salvo-condutos. A burocracia foi uma importante estratégia de controle sobre mulheres e homens negros e sua livre circulação pelo país.

A política de segregação racial esteve presente nos espaços mais comuns das cidades da África do Sul. Havia veículos de transporte separados para brancos e para negros, assim como os pontos de ônibus. Lugares separados nas praças, nos parques e nas praias era também bastante comum. Bibliotecas também seguiram as regras de segregação, assim como os bebedouros, os restaurantes, os bares. Enfim, todos os lugares foram marcados pela violência da segregação racial.

 

Embora a segregação tenha sido um regime bastante violento, o povo Sul africano não tolerou passivamente as regras racistas. Várias foram as reações ao sistema e elas estiveram ligadas à formação da União Sul-Africana.

Placa em praia na cidade de Durban proíbe a entrada de não brancos. Foto: Guinnog / via Wikimedia Commons [CC-BY-SA 3.0]

Desde o início do século XX, com a criação do Congresso Nacional Africano (ANC) que os negros passam a ter a sua principal entidade de representação. Na década de 1920 os líderes promoveram greves com mais de 40 mil mineiros em todo o país, mostrando sua capacidade de mobilização e articulação. Na década de 1940 foram mais de quarenta greves organizadas envolvendo mais de 60 mil pessoas.

Mas, é com a ascensão do regime do Apartheid que a resistência pacífica ficou em segundo plano, dando lugar a boicotes e movimentos armados liderados por Nelson Mandela (1918 – 2013). O estopim do início da resistência mais ativa foi o Massacre de Shaperville (1960), quando a polícia atirou em um grande grupo de aproximadamente cinco mil pessoas.

Mandela foi preso em 1962 e em 1964 foi condenado à prisão perpétua, tendo ficado preso até 1990. Ele foi a principal referência da luta contra o regime de segregação racial na África do Sul.

Em 1976 uma onda de violência extrema por parte da polícia contra um protesto de jovens estudantes ocorreu em Soweto, Johanesburgo. Nesta repressão o número de mortes e prisões foi surpreendente: foram 600 manifestantes mortos e 13 mil prisões. A tortura e morte de Steve Biko, líder do movimento, marcou a ação e a África do Sul passou a sofrer pressões por parte da ONU, que provocou o isolamento do regime do Apartheid e já nos anos 1980 o país passa por um descrédito mundial, perdendo investimentos.

No início dos anos 1990, com a libertação de Mandela e a abertura do regime o Partido Nacional perdeu força e Mandela foi eleito presidente em 1994, marcando o fim da segregação legal e a conciliação nacional sul-africana.

Referência:

MACEDO, José Rivair. História da África. São Paulo: Contexto, 2013.