Ascensão do Fascismo e do Nazismo

Mestrado em História (UDESC, 2012)
Graduação em História (UDESC, 2009)

A ascensão do Fascismo e do Nazismo aconteceu no período entreguerras, ou seja, um tempo de crises e de descrédito na Europa, entre 1919 e 1939. A Primeira Guerra Mundial acabou com as crenças em prosperidade no mundo ocidental, especialmente no continente europeu.

O século XIX foi marcado pela euforia com o progresso, as descobertas científicas, o avanço da Revolução Industrial e a hegemonia europeia no mundo por meio do colonialismo e do imperialismo. No final no século XIX, com a Conferência de Berlim, as potências europeias partilharam entre si o continente africano com a intenção de explorar suas matérias primas para a indústria em expansão. Além disso, lutaram pelo fim do tráfico atlântico na evidente intenção de fomentar novos mercados consumidores e vivenciaram assim um período de enriquecimento e expansão econômica, e o otimismo fazia parte da realidade das nações europeias.

Durante o período posterior à Primeira Guerra Mundial o poder econômico europeu foi diminuindo, enquanto novas potências cresciam. Os Estados Unidos da América mantiveram sua economia forte, e na Ásia o Japão se industrializou e se tornou imperialista. Portanto, o centro do mundo – como acreditavam os europeus – não era mais o Velho Continente.

As crises – sociais, políticas e econômicas – estavam presentes em uma Europa já em descrédito, que aos poucos via o número de conflitos sociais crescerem. Desta forma, vários foram os movimentos de esquerda que surgiram neste cenário, onde os sindicatos exerceram importante papel.

Desta forma a euforia e o otimismo tão presentes no século XIX abriram espaço para o pessimismo e para o descrédito espalhados por toda a Europa. Isso começou a fazer parte das propostas e ideias para a saída da crise e um nacionalismo agressivo surgido como solução foi uma dessas propostas que acabou ganhando força, especialmente na Alemanha e na Itália. Violência e ditadura passaram a significar solução. A justificativa do uso da força e da instauração de governos ditatoriais foi usada diversas vezes na história como argumento para conter momentos de crise e desordem.

A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, viu nas ideias nazistas de Adolf Hitler uma solução para sua recuperação. Já a Itália, mesmo vitoriosa na Primeira Guerra, viu em Benito Mussolini o líder que através do fascismo salvaria a Itália da crise.

Hitler e Mussolini conseguiram formar grupos de extrema direita compostos por ex-militares, estudantes e profissionais liberais, para quem as ideias nacionalistas e racistas fizeram sentido, pois atribuíam ao outro a culpa pela crise.

Os líderes alemão e italiano acabavam com comícios e qualquer tipo de manifestação socialista através de organizações paramilitares que combatiam – com o aval do Estado – o que chamavam de perigo vermelho.

Pode-se perceber que a construção do medo do comunismo, do socialismo e de ideias de esquerda estiveram presentes em vários processos históricos ao redor do mundo. A falta de informação leva, inclusive, pessoas a acreditarem até hoje que o Partido Nazista, por carregar o nome de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, estava ligado às ideias socialistas. É sabido que o socialismo e o comunismo foram grandes inimigos dos regimes totalitários e a utilização dos termos socialista e trabalhadores foi uma estratégia para conquistar os trabalhadores afastando-os do que consideravam perigoso: as ideias de esquerda que se alastravam no mundo.

Com as crises aumentando e o Estado não conseguindo resolvê-las, o Fascismo e o Nazismo avançavam, conquistando um número cada vez maior de adeptos.