Grande Cisma do Ocidente

Por Ana Lucia Santana
Algum tempo depois de um sério confronto pelo poder entre o Papa Bonifácio VIII, que esteve à frente da Igreja entre 1294 e 1303, e o monarca francês Felipe IV, a sede do Papado foi transferida para Avignon, dando início ao que se conhece como o Cativeiro de Avignon, que se prolongou de 1309 a 1377. O soberano da França obrigou o sucessor deste pontífice a se instalar em território francês, deixando vago o trono do Papa em Roma.

O Grande Cisma do Ocidente provocou uma cisão no interior da Igreja Católica no período que vai de 1378 a 1417. Este movimento teve início justamente a partir do encerramento da era pontifical em Avignon, porém não foi provocado por razões estritamente religiosas, mas sim por fatores de ordem política. Em 1377 o mais novo pontífice francês decidiu retornar para Roma, aonde ele veio a falecer no dia 27 de março de 1378.

Os italianos, empolgados pela iniciativa de Gregório XI, clamaram pela eleição de um novo papa italiano, e pelo retorno decisivo da sede do Papado para Roma. Sob pressão, os cardeais optaram pelo até então obscuro Bartolomeo Prigano, Arcebispo de Bari, um simples líder da chancelaria papal localizada em Avignon. Ele assumiu o pontificado como Urbano VI, nome aceito por todos, uma esperança de pacificação no interior do catolicismo.

Mas este novo Papa foi logo rejeitado pelo clero, pois se revelou depressa uma pessoa inconstante, propensa a ataques de ira e nada diplomático. Os cardeais se uniram então à Rainha Joana I de Nápoles e escolheram um novo pontífice, Roberto de Geneva, intitulado Clemente VII, que assumiu o trono de Avignon e tornou-se conhecido como o Antipapa. Cada um deles reivindicava o direito de ocupar o lugar de Pedro diante do mundo católico. Eles ameaçavam um ao outro com terríveis acusações de heresia e promessas de excomunhão.

O universo católico estava cindido, a unidade da Igreja ameaçada. Tinha início o Grande Cisma do Ocidente. Clemente VII era um conciliador, e assim conseguiu unir em torno de si diversas dinastias reais e figuras de destaque da Igreja. Já Urbano VI tinha a seu lado os ingleses, o Sacro Império e a região localizada ao norte da Itália, sem falar no auxílio fundamental de Santa Catarina de Siena.

Este confronto logo tomou proporções mais amplas, transformando-se em episódio diplomático de alcance continental na Europa. Cada Papa tinha a seu lado sustentações provindas de uma parte ou de outra do território europeu. O tempo passou e os dois pontífices tiveram seus substitutos. Urbano VI cedeu seu lugar a Bonifácio IX e Clemente VII passou seu trono para Benedito XIII, que logo viu sua posição contestada por Alexandre V, que teve como seu sucessor o Antipapa João XXIII.

Logo a Igreja Católica tinha não mais dois papas, mas três pontífices, pois a situação culminara em um cisma no interior do outro cisma. Era este o contexto no princípio do século XV. O catolicismo havia chegado ao extremo da instabilidade política e religiosa, então se decidiu pelo fim desta divisão, realizando-se, em 1414, um Concílio na cidade de Constança, para dar uma solução a este impasse.

Houve neste momento uma intensa luta política, mas finalmente chegou-se a um consenso, que culminou com a renúncia do papa de Roma, a destituição dos outros dois, e a escolha de um novo nome, o de Martinho V, no dia 11 de novembro de 1417, consumando-se o final do Grande Cisma do Ocidente, com o pontificado retornando para Roma.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Cisma_do_Ocidente
http://br.geocities.com/worth_2001/avignon.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Papado_de_Avignon