Papa Clemente V

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

O Papa Clemente V foi o 195º soberano da Igreja Católica. Bertrand de Gouth nasceu no ano de 1264 em Bordeaux, na França. Mas o dia exato do seu nascimento não é conhecido, assim como são poucas as referências sobre sua vida antes do papado.

Com a morte do papa Bento XI, a vacância do posto máximo da Igreja Católica, como de costume, deveria ser solucionada por um conclave para escolha do novo líder religioso. Porém esta eleição foi diferenciada. Na ocasião, a família real francesa havia sido excomungada por Bento XI. Por esse motivo, o monarca Felipe IV, o Belo, articulou e fez um pacto com Bertrand de Gouth, gozando de seu poder e influência, que o levaria ao papado. Felipe IV queria em retorno que o novo papa retirasse a excomunhão da família real. Na verdade, esse acabou sendo o cenário do conclave em Perugia que decidiria pelo novo papa. O que se viu foi um embate entre os cardeais italianos e os franceses. Efetivamente, Felipe IV conseguiu levar Bertrand de Gouth ao papado.

No dia 5 de junho de 1305, Bertrand de Gouth foi eleito papa e adotou o nome papal de Clemente V. Seu pontificado ficou caracterizado pela mudança da Santa Sé de Roma para Avinhão, no ano de 1309. É o momento da história onde o papal possui como sede uma cidade fora das terras italianas. Com um perfil de marionete dedicada a promover os interesses do rei Felipe IV, Clemente V foi comandado pelo rei francês muito em função de dever a ele a posição que ocupava na Igreja Católica. Uma das ações mais estranhas tomadas pelo Papa Clemente V foi a investigação post mortem feita contra o papa Bonifácio VIII. Este era inimigo de Felipe IV, o qual forjou acusações contra o papa para justificar o pedido de exumação do mesmo e investigação contra seu caráter. A questão só foi solucionada durante o Concílio de Vienne, em 1311, que confirmou a ortodoxia e a moralidade do papa Bonifácio VIII.

O costume de Felipe IV de forjar acusações colocou o Papa Clemente V no centro de uma das questões mais complicadas da história da Igreja Católica. Em 1307, o monarca francês disseminou acusações falsas contra a Ordem dos Cavaleiros Templários, famosos por defender os cristãos na Terra Santa, tudo em função de não ter sido aceito para integrar a Ordem. Interessado nos bens dos Templários, Felipe IV tentou ingressar na organização para ter controle sobre os mesmos, o que foi recusado. Então, disseminou uma série de acusações que incluía, por exemplo, heresia por parte dos Templários e mandou prender vários deles que estavam em Paris. O Papa Clemente V se omitiu sobre a situação por muito tempo, quando, finalmente, resolveu convocar os acusados para inquisição. Inicialmente, eximiu os Templários das acusações, mas no Concílio de Vienne decidiu pelo fim da Ordem dos Cavaleiros Templários alegando que não havia mais motivo para sua existência.

Felipe IV, ainda sem ter acesso aos bens dos Templários, condenou seu Grão Mestre, Jacques de Molay, a ser queimado por ter negado as acusações que recebera. Reza a lenda que Jacques de Molay rogou a Deus em suas últimas palavras que convocassem o papa e o monarca francês para o julgamento divino dentro de um ano. O fato é que em poucos meses os dois morreram. Felipe IV foi vítima de um acidente enquanto caçava e o Papa Clemente V faleceu no dia 20 de abril de 1314, pouco mais de um mês após a morte de Jacques de Molay que ocorreu no dia 18 de março, em função de uma infecção que começou no intestino e se espalhou pelo corpo.

O Papa Clemente V foi sucedido por João XXII.

Fonte:

DUFFY, Eamon. Santos e Pecadores: história dos papas. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.

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