Guerra da Bósnia

Por Antonio Gasparetto Junior
A Guerra da Bósnia ocorreu entre 1992 e 1995 na região da Bósnia e Herzegovina.

Sarajevo após o cerco de 1995. Foto: Hedwig Klawuttke [CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0) or GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html)], via Wikimedia Commons

Sarajevo após o cerco de 1995. Foto: Hedwig Klawuttke [CC-BY-SA-3.0 or GFDL], via Wikimedia Commons

Durante a Guerra Fria, a parte Oriental da Europa era constituída por países socialistas que integravam a União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas. O pólo comunista fez frente ao pólo capitalista no mundo, liderado pelos Estados Unidos da América. Durante quase meio século, o embate ideológico entre capitalista e comunismo dividiu o mundo, fazendo, muitas vezes, uso de violência indireta para atingir o adversário. Como a União Soviética e os Estados Unidos eram potências, detentoras de ampla tecnologia militar, um confronto direto poderia representar a aniquilação de ambos. Mas no decorrer da década de 1980, a União Soviética perdeu gradativamente o seu poderio, viu o Muro de Berlim cair e culminou com o seu fim. As repúblicas que integravam a antiga potência capitalista começaram a mudar de lado ou passaram por graves problemas sociais e étnicos devido aos atrasos proporcionados pelo regime socialista.

Quando começou a desintegração da Iuguslávia, em 1991, marcada pelas independências de Croácia e Eslovênia, os líderes servo-bósnios almejavam constituir um país que unisse todos os sérvios. Mas o povo da Bósnia-Herzegovina também se declarou independente, em 1992. Os sérvios invadiram o novo país, que respondeu militarmente e ampliou a abrangência da guerra com os sérvios.

A Guerra da Bósnia foi o resultado de uma complexa combinação de fatores, envolvendo questões políticas e religiosas. As proporções de um conflito que envolvia as consequências do fim da Guerra Fria, misturadas com fervores nacionalistas, resultaram no envolvimento de mais países, caso de Croácia e Sérvia e Montenegro. Estabeleceu-se uma discussão em torno da razão de ser do conflito, se seria uma guerra civil ou uma guerra de agressão.

O conflito envolveu três grupos étnicos e religiosos típicos da região. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Bósnia se tornou o conflito mais longo no território europeu. A disputa entre sérvios cristãos ortodoxos, croatas católicos romanos e bósnios muçulmanos teve início em abril de 1992 e deixou um rastro de aproximadamente 200 mil vítimas. O conflito só chegou ao fim em dezembro de 1995 quando os sérvios, com a capital ameaçada, assinaram o Acordo de Dayton, na cidade de Paris, estabelecendo o armistício.

A Guerra da Bósnia tomou proporções internacionais por causa da duração do combate, mas também por causa do número de vítimas e, especialmente, pelos crimes de guerra cometidos. Destes, os sérvios foram responsáveis por cerca de 90%. O genocídio matou milhares de cristãos e muçulmanos, mulheres e crianças. A alegação de “limpeza étnica” foi semelhante à utilizada por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, claro, considerando as especificidades e características do novo movimento. De todo modo, genocídio é considerado o pior crime de guerra, até hoje há líderes bósnios e sérvios sendo julgados por suas condutas no conflito.

Fontes:
http://www.usp.br/fau/docentes/depprojeto/j_whitaker/bosnia.html
http://www.bbc.co.uk/portuguese/static/especial/milosevic_yugoslavia/bosnia.htm