Historiografia Marxista

Por Antonio Gasparetto Junior
A Historiografia Marxista é baseada em proposições apontadas pelo pensador alemão Karl Marx.

A forma de interpretar as sociedades é um ponto muito importante para vários pensadores das chamadas Ciências Sociais. Busca-se alguma explicação para o desenvolvimento da sociedade e como a história de forma geral é construída. Este tipo de preocupação é antiga para os intelectuais, mas foi a partir do século XVIII e do Iluminismo que tais proposições ganharam grande destaque e passaram a guiar muitos dos trabalhos que buscam explicar as ações e relações humanas.

A Historiografia Marxista tem uma relação direta com o Hegelianismo, que é uma corrente filosófica baseada nos pensamentos do filósofo alemão George Wilhelm Hegel. Este foi responsável por influenciar vários outros pensadores a partir de suas concepções e suas ideias. Entre os influenciados estava o alemão Karl Marx, que absorveu aspectos do pensamento de Hegel e gerou uma nova linha de pensamento que marcou profundamente a história da humanidade com grande impacto, especialmente, no século XX.

Karl Marx herdou a ideia da dialética de Hegel e completou seu pensamento dando ao homem o papel de sujeito na história. Com suas novas formulações, a Historiografia Marxista apresentou uma nova perspectiva de compreensão do passado. Marx foi contundente para colocar o homem como sujeito da história e as massas ganharam grande importância nos feitos históricos.

A observação da Historiografia Marxista é muito marcada por uma abordagem mais economicista da história da humanidade. A corrente de Historiadores e pensadores em geral que segue o modelo de interpretação de Marx encara a vida social a partir da luta de classes e considera as mudanças em função das alterações no sistema produtivo das sociedades.

Por apresentar os antagonismos do sistema capitalista, como o embate entre burguesia e proletariado, a corrente que se baseia em Marx é ligada ao socialismo. A Historiografia Marxista ganhou força como uma corrente político-teórica de muita influência para militantes em todo o mundo.

Muitos são os conceitos elaborados por Marx que estão presentes na Historiografia Marxista. Entre eles estão: o Materialismo Histórico, que argumenta serem as relações de produção responsáveis pelas relações concretas dos homens na sociedade; o Modo de Produção, que seria capaz de retratar a totalidade de uma sociedade através de estrutura e superestrutura; e a Classe Social, que alcançaria níveis de conflitos por causa da luta de classes.

Mas a Historiografia Marxista também recebeu várias releituras de acordo com o desenvolvimento das Ciências Humanas no século XX. Os diversos movimentos intelectuais desse período apresentaram novas situações para abordagem dos pensamentos de Marx. A Escola dos Annales, que, na França, inovou na História como ciência, apresentou uma maneira mais indireta e difusa do marxismo, em alguns momentos. Por sua vez, a Historiografia Marxista Soviética foi mais direta, concentrada e dogmática. O que se explica naturalmente pela adoção do Socialismo. Já a releitura dos Historiadores Marxistas Ingleses foi concentrada, porém flexível.

Por outro lado, a Historiografia Marxista demonstrou ter seus limites também. Por causa do grande enfoque dado nas relações econômicas, os historiadores perceberam que não seria possível explicar todos os aspectos da vida social. Muitas facetas importantes para as relações do cotidiano na humanidade não eram abordadas. Hoje se entende que a História é feita em diversas circunstâncias da vida humana e está muito em foco as proposições feitas pela quarta geração da Escola dos Annales que enfatiza as implicações da cultura na explicação das sociedades.

Fontes:
http://cac-php.unioeste.br/cursos/toledo/historiaeconomica/slides%20historiografia.pdf
http://www.webartigos.com/articles/39740/1/Marx-e-a-Historiografia-no-Seculo-XX/pagina1.html