Muro de Berlim

Mestre em História (UDESC, 2015)
Pós-graduada em Direitos Humanos (Universidade de Coimbra, 2012)
Graduada em História (UDESC, 2010)

Com a rendição da Alemanha, em 8 de maio de 1945, os Países Aliados reuniram-se em Potsdam, entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945, a fim de decidir o futuro do país derrotado. Assinaram a Conferência de Potsdam, que dividiu a Alemanha em quatro zonas, ocupadas pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e União Soviética. A capital alemã, Berlim, foi também dividida entre as quatro potências.

As relações entre a União Soviética, comunista, e os outros três países Aliados, capitalistas, logo passaram de cooperativas para competitivas e agressivas. A possível reunificação alemã tornou-se distante, e a Alemanha acabou dividida em Oriental, comunista, e Ocidental, capitalista. Era o início da Guerra Fria, e Berlim era símbolo da polarização que o mundo vivia: também a cidade foi dividida em duas, seguindo a mesma lógica do restante do território alemão.

Na madrugada de 13 de agosto de 1961, o governo da República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) começou a construir um muro de arame farpado para separar a Berlim Ocidental da Oriental. Oficialmente, o objetivo era manter os habitantes da parte pertencente a República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) fora da área de sua área de domínio e assim evitar que ‘fascistas’ tentassem sabotar o lado comunista. No entanto, era sobretudo com o grande número de moradores de Berlim Oriental que diariamente se mudava para a parte capitalista que os comunistas queriam acabar. Estima-se que cerca de 3,5 milhões de pessoas desrespeitaram as normas de emigração e deixaram a República Democrática Alemã antes da construção do muro.

Oficialmente chamado de Muro de Proteção Antifascista, a barreira tinha 66,5 km de extensão, 302 torres de observação e 127 redes metálicas electrificadas. Um posto militar conhecido como Checkpoint Charlie era o único ponto de travessia para estrangeiros e membros das forças Aliadas. A patrulha ficava por conta de militares da Alemanha Oriental que, acompanhados de seus cães de guarda, tinham ordens para atirar naqueles que tentassem atravessar. Tal ordem ficou conhecida como “Ordem 101”, ou Schießbefehl, em alemão, e resultou na morte de 136 pessoas entre 1961 e 1989, ano da queda do muro. Cerca de outras 200 ficaram feridas e 300 foram presas, mas, ainda assim, 5.000 pessoas atravessaram de Berlim Oriental para Berlim Ocidental ao longo dos 28 anos em que o muro dividiu a cidade.

Além do espaço, o Muro de Berlim causou uma separação ainda mais violenta: dezenas de milhares de famílias e amigos, um de cada lado da muralha, passaram quase três décadas sem se ver.

O dia 9 de novembro de 1989 marca a queda do muro, que foi destruído pela própria população quando o Partido Comunista da Alemanha Oriental anunciou, após um longo processo de negociação com o mundo ocidental, que a população poderia atravessar a fronteira para a República Federal da Alemanha livremente. No entanto, a muralha só começou a ser oficialmente demolida em 13 de junho de 1990.

A queda do muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria, foi comemorada no mundo capitalista, pois representava a derrota do comunismo e a proximidade do fim da polarização do mundo.

Referências:
http://history1900s.about.com/od/coldwa1/a/berlinwall.htm
http://www.history.com/topics/cold-war/berlin-wall
https://www.rt.com/news/201255-berlin-wall-anniversary-25/
http://infograficos.estadao.com.br/especiais/muro-de-berlim/
http://www.bbc.co.uk/history/places/berlin_wall