Capitalismo

Capitalismo é definido por diversos autores com conceituações diferentes. O sociólogo Karl Marx enxergava como um sistema onde o tempo de trabalho era transformado em lucro e depois em capital, sendo o tempo de trabalho pertencente ao trabalhador e o capital ao burguês. A filósofa Ayn Rand define-o como sistema social baseado nos direitos individuais, onde todas as propriedades devem ser privadas, portanto, um sistema de livre mercado (sob esta perspectiva, não seria aplicado de forma pura em nenhum país). Já o economista Ludwig von Mises demonstra que o Capitalismo surge da precisão de trabalho e de bens de consumo, que no Feudalismo se tornou escasso.

Revolução Comercial

A Revolução Comercial foi a transformação da economia européia a partir do século XV, durou aproximadamente dois séculos. Conforme o doutor em Economia André Biéler, especificamente, desde o século XI ao XII houve uma onda de transformações na antiga sociedade medieval, desmantelando quadros de sua economia feudal.

Invasões turcas no leste da Europa interromperam o tráfico mercantil continental outrora estabelecido entre Bizâncio e o Mar Báltico, originando uma nova comunicação entre o Oriente e o Ocidente, pelo Mediterrâneo. O tráfico movimenta-se pelos rios Pó e Ródano e transpassa a Europa chegando às costas do Norte, passando pelas vias do Reno, do Escaut e do Mosa. Por sua passagem, vilas comerciais se desenvolvem, primitivas indústrias nascem e portos se alargam. Florescem as cidades de Veneza, Gênova, Pisa, Marselha, Ruã, Hansa e Lubeck. Nos portos e cidades mercantis de Flandres e Lyon, e ainda em Genebra, uma nova economia se forma, constituindo uma burguesia de negócios e prosperidade, que buscou independência e constituiu comunas, cidades medievais emancipadas através de cartas de autorização dos reis.

A burguesia urbana vira uma classe social privilegiada e procura resguardar seus privilégios. As profissões passam a se organizar em corporações, cada vez mais regulamentadas, criando monopólios, freando o surto econômico e tornando cada vez mais descontentes os trabalhadores, em quase toda a região da França, Itália, Inglaterra e Alemanha.

No século XIV, as corporações se apossam do poder político que patrícios e nobres exerciam. Os campos são levados a produzir mais, para o seu consumo e para a comercialização, tornando a terra mais valiosa, e o proprietário da terra acaba liberando seus servos, porque taxas e concessões lhes são obstáculos; havendo liberação de servos nos mais desenvolvidos países da Europa. A emancipação ligeira dos antigos servos os leva para as cidades, onde a mão-de-obra do proletariado passa a se inflar. A rigidez das corporações reduz o emprego. Assim, o servo que se acha em liberdade se vê privado de atividade remunerada. De 1340 a 1453, a Guerra dos Cem Anos se torna responsável por mais transformações: A nobreza perde seu prestígio e o povo cada vez mais toma entendimento dos seus direitos.

Os historiadores que apontam o século XV como as primícias do Capitalismo ressaltam o desenvolvimento do sistema bancário, que durante a maior parte da Idade Média pouco foi desenvolvido, e era controlado especialmente por judeus e árabes. Há ainda o pagamento de salários para trabalhadores, propriedade privada (no Feudalismo, era comum que os servos fossem privados de direitos de propriedade conforme os desejos dos nobres), e mais concorrência de mercado. Para estes historiadores, o Capitalismo é dinâmico, não se estabiliza. Eles ainda o diferenciaram do Mercantilismo, que era um sistema econômico de intervencionismo do Estado Nacional, visando seu enriquecimento através de poder, destacando-se a exploração das metrópoles de suas colônias. É possível concluir que o Capitalismo está ligado às ações de indivíduos no mercado, podendo coexistir com o intervencionismo econômico governamental (ser controlado por ele), como na Era Mercantilista, que ocorreu principalmente no século XVII.

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Revoluções Industriais

Nas Revoluções Industriais ocorridas nos séculos XVIII e XIX, o desenvolvimento do Capitalismo gradativamente diminuiu a pobreza e a vulnerabilidade por onde foi exercido em medida significativa. Como explicado pelo economista Ludwig Von Mises, as autoridades governamentais européias não encontravam soluções para aqueles pobres que haviam se tornado párias na sociedade.

Antes da Revolução Industrial, os privilégios e monopólios vigentes no sistema social tradicional eram tantos que o comércio era submisso às licenças e cartas patentes, restrição e proibição de competição, tanto interna como externa. As pessoas à margem do sistema paternalista governamental eram muitas. Quando a colheita chegava, os pobres ganhavam pouco por um trabalho ocasional nas fazendas; sendo costumeiramente dependentes da caridade privada e da assistência pública. Milhares de jovens alistavam-se nas forças armadas para fugirem da pobreza, mas muitos morriam, outros tantos voltavam mutilados ou gravemente doentes. Milhares de outros viviam como mendigos, andarilhos, ladrões e prostitutos. As autoridades só conheciam uma alternativa: mandá-los para asilos ou casas de correção. O governo dava apoio ao preconceito popular contra a introdução de novas invenções e de dispositivos que economizassem trabalho, pois achavam que eles reduziriam o emprego.

Novos empreendedores que não seguiram a ética das corporações de indústrias primitivas de beneficiamento abriram fábricas com o intuito de gerar riqueza para si mesmos, o que aumentou as ofertas de emprego; possibilitando a amenização do combate governamental às novas fábricas, pois viram que os antigos párias da sociedade agora trabalhavam para o seu sustento. Os novos homens de negócio eram em sua maioria oriundos da mesma classe social que os seus operários, e suas fábricas produziam em massa, tendo seus produtos consumidos pelas classes mais baixas, o que incluía seus trabalhadores. Enquanto as fábricas produziam roupas para pessoas de modestos recursos, os ricos preferiam seus alfaiates e costureiras. Antes da Revolução Industrial, uma das diferenças entre ricos e pobres era que os primeiros andavam calçados e os segundos costumavam andar descalços. Através da Revolução Industrial, o pobre passou a usar os sapatos produzidos das indústrias de produção em massa, e os ricos sapatos exclusivos feitos artesanalmente.

O período é conhecido ainda pelas condições de insalubridade nas fábricas e a presença de crianças e mulheres nestes ambientes de trabalho precários. Essas pessoas estavam sendo oprimidas, antes de tudo, pela própria fome. Mulheres e crianças deixaram seus lares porque o trabalho dos homens não era suficiente para manter a subsistência da família, e as fábricas possibilitaram melhora em suas rendas, proporcionando mais comida em suas mesas. Os resultados foram um crescimento populacional superior ao de eras passadas, e aumento de riqueza na sociedade. Em 1770 a Inglaterra tinha 8,5 milhões de habitantes, e em 1830 a população era de 16 milhões.  Esse aumento populacional se deve especialmente por causa da Revolução Industrial e desenvolvimento do Capitalismo. Os pobres dos países desenvolvidos passaram a viver de forma mais confortável que os nobres do mundo medieval, e as condições de trabalho foram se tornando melhores juntamente com a ascensão da qualidade de vida.

Referências:

BIÉLER, André. O pensamento econômico e social de Calvino. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1ª edição, 1990, 35-37p.

FABRIS et al. Sistema Prodac – História Do Brasil, História Geral, História Da Arte. São Paulo: Editora Didática Paulista, 106p.

ISHIHARA, Henrique Kiyoshi.Teoria De Marx: O Que É Capital? Disponível em: <https://cafecomeconomia.webnode.com/products/simulador-de-finan%C3%A7as/>. Acesso em 18 de dezembro de 2018.

MISES, Ludwig Von. A ascensão do capitalismo. Disponível em: <https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1701>. Acesso em 20 de dezembro de 2018.

MISES, Ludwig Von. As seis lições. São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises, 7ª edição, 2009, 13-25p.

Mises, Ludwig Von. Fatos e mitos sobre a "Revolução Industrial". Disponível em: <https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1056>. Acesso em 19 de dezembro de 2018.

RAND, Ayn. Capitalismo: o que você precisa saber. Disponível em: <https://objetivismo.com.br/artigo/capitalismo-o-que-voce-precisa-saber#_ftn12>. Acesso em 18 de dezembro de 2018.

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