Queda da Bastilha

Mestra em História (UFRJ, 2018)
Graduada em História (UFRJ, 2016)

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O termo "Queda da Bastilha" diz respeito a um evento de enorme significado simbólico, ocorrido em 14 de julho de 1789, num contexto de agitação política, social e econômica na França.

Neste reino, a sociedade era rigidamente dividida em três estamentos: o primeiro estado, composto pelos membros do clero, o segundo estado, onde estavam as famílias nobres, e o terceiro estado, onde ficava todo o 98% restante da população, incluindo a burguesia, os comerciantes, os artesãos e, os mais pobres de todos, os camponeses. Neste modelo tão hierarquizado, apenas o terceiro estado pagava impostos, tendo que arcar inclusive com taxas remanescentes do feudalismo.

Em 1785, uma forte seca matou grande parte do rebanho do país; três anos depois, ocorreria uma grande seca, que elevou os preços dos alimentos e gerou fome em larga escala. Num cenário em que o governo via-se perante uma crise financeira, a falta de alimento para a população mais pobre acabou por gerar paulatinamente uma crise política. Procurando solucionar a situação, o rei Luís XVI (1754-93) convocou os chamados Estados Gerais. Tratava-se de um órgão consultivo, composto por membros dos três estamentos da sociedade, que se reunira pela última vez ainda no reinado de Luís XIII, em 1614.

Abertura dos Estados Gerais em 5 de Maio de 1789. Obra de Isidore-Stanislaus Helman (1743-1806) e Charles Monnet (1732-1808).

No dia da abertura dos trabalhos, em cinco de maio de 1789, o terceiro estado solicitou que a contagem de votos passasse a ser feita por cabeça, e não por estamento, como fora até então. Um mês seguiu-se com discussões sem resultados, até que o terceiro estado decidiu unilateralmente se reunir numa sala separada. Não conseguindo dissolver esta reunião, o rei ordenaria que os dois outros estados fossem juntar-se ao terceiro. Em nove de julho, era proclamada a Assembleia Nacional Constituinte.

Embora tivesse consentido com a reunião e afirmasse apoiar os deputados, porém, secretamente Luís XVI convocara o exército para dissolvê-la. A notícia acabaria se espalhando pela cidade de Paris, causando a revolta da maioria da população. Nas primeiras horas do dia 14, uma multidão – formada principalmente por operários, artesãos e pequenos lojistas – invadiu os arsenais do governo e tomou posse de mais de 30.000 mosquetes, partindo a seguir em direção à antiga fortaleza da Bastilha. Tendo suas origens ainda no século XIV, a Bastilha funcionara como fortaleza e prisão dos inimigos do rei, mas no século XVIII encontrava-se praticamente desativada, funcionando mais como um depósito de armas do Estado. Na ocasião de sua tomada, ela continha apenas sete prisioneiros.

Pintura retrata a queda da Bastilha.

A Tomada da Bastilha, pintura de Jean-Pierre Louis Houël, 1789.

Tendo pouco mais de 100 guardas para defendê-la, a fortaleza foi presa fácil para as milhares de pessoas que procuraram invadi-la. O governador da Bastilha ainda procuraria negociar com a multidão enfurecida, mas acabaria decapitado, com a cabeça sendo espetada em uma lança. Depois de várias horas de combate, a Bastilha foi tomada. Pouco depois, seria incendiada. A notícia rapidamente se espalharia pelo reino, animando os insatisfeitos com o regime absolutista com a possibilidade de mudanças efetivas. Por este motivo, a queda da Bastilha é amplamente considerada como o marco inicial da Revolução Francesa. Já em 1790, a data se tornaria um feriado nacional, mantido até os dias de hoje.

Bibliografia:

http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/queda-da-bastilha-o-inicio-da-revolucao/

http://www.dw.com/pt-br/1789-queda-da-bastilha/a-591877

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/07/130714_franca_bastilha_fl

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