Revolução Praieira

Por Cristiana Gomes
No início do século XIX, Pernambuco era a mais importante província do nordeste. Seus políticos tinham muita influência no Rio de Janeiro, graças ao açúcar.

Naquela época, a sociedade pernambucana era dominada pela família Cavalcanti, que mandava e desmandava segundo seus interesses. Além disso, a monopolização do comércio pelos portugueses começou a gerar insatisfação das camadas populares em Pernambuco.

Assim como em outras partes do Brasil, em Pernambuco existiam dois partidos: liberal (dominado pelos Cavalcanti) e conservador (dominado pelos Rego Barros).

Essas duas famílias faziam acordos políticos com muita facilidade. Assim, Francisco de Paula Cavalcanti tornou-se presidente da província em 1837, através de um acordo com os Rego Barros e, em 1840, foi a vez de Francisco Rego Barros (barão de Boa Vista) assumir a presidência.

Em 1842, alguns integrantes do Partido Liberal se rebelaram e fundaram o Partido Nacional de Pernambuco (Partido da Praia), eles acusavam Rego Barros de distribuir os melhores cargos aos Cavalcanti e seus aliados mais próximos.

Além destes fatores, havia outras razões, como por exemplo, a Inglaterra fazia pressão para o fim do tráfico de escravos, porém para as famílias Cavalcanti e Rego Barros, isso não significava problemas, pois conseguiam escravos baratos através da prática do contrabando (que era acobertada pelas autoridades), enquanto que os demais membros da população, eram obrigados a pagar o preço de mercado pelos escravos.

Tudo isso foi denunciado via imprensa pelos praieiros. Do lado dos conservadores (também chamados “guabirus” – nome de um rato que na linguagem figurada significava “ladrão”) estava o jornal “Diário de Pernambuco” e, do lado dos praieiros, o jornal “Diário Novo” – que ficava na rua da Praia, daí o nome do movimento. Esse duelo através dos jornais durou até 1844.

A partir desse mesmo ano, o Partido da Praia começou a crescer: além de conseguir eleger deputados para a Assembléia Legislativa Provincial, Antonio Pinto Chichorro da Gama foi nomeado presidente da província.

Com o apoio dele, os praieiros chegaram ao poder. Lá, demitiram os funcionários da administração e da polícia que haviam sido nomeados pelos conservadores e acabaram causando um verdadeiro caos administrativo.

Chichorro deixou o poder em 1847 e isso gerou um clima de instabilidade.

Em 1848, com a volta dos conservadores ao poder no Rio de Janeiro e com a nomeação de Herculano Ferreira Pena para o governo de Pernambuco (com a missão de sufocar as manifestações de descontentamento), a situação ficou incontrolável e em 7 de novembro explodia a revolução.

Os praieiros defendiam um programa avançado:
- Voto livre e universal
- Liberdade de imprensa
- Garantia de trabalho
- Nacionalização do comércio (que estava nas mãos dos portugueses)
- Reformas econômicas e sociais

Em fevereiro de 1849, os praieiros liderados por Pedro Ivo entraram em Recife, no entanto, afragilidade das forças rebeldes não permitiu uma luta muito longa e, pouco tempo depois dos ataques à Recife e à Paraíba (ambos fracassados), Pedro Ivo se rendia (03/02/1848), dando por fim a rebelião.

Em 1851, o governo anistiou todos os líderes revolucionários presos.