Sociedade feudal

Pós-doutorado em História da Cultura (Unicamp, 2011)
Doutor em Ciências da Religião (Umesp, 2001)
Mestre em Teologia e História (Umesp, 1996)
Licenciado em Filosofia (Unicamp, 1992)
Bacharel em Teologia (Mackenzie, 1985)

O feudalismo foi um modo de produção e um sistema de organização social que estabelecia como as pessoas se relacionavam entre si e o lugar que ocupavam na sociedade medieval na Europa central. Na sociedade feudal, os mais pobres trabalhavam e recebiam a proteção dos suseranos com os quais faziam um tratado de suserania e vassalagem, numa espécie de escravidão mais branda, como servos ou vassalos de proprietários de terras. Essa era a base do sistema feudal: a relação servil de produção.

Nos feudos ocorria a maior parte das relações sociais, a proteção em troca de serviços e obrigações. Os senhores feudais possuíam terras e exploravam suas riquezas cobrando impostos e taxas, concedia terras e quem as recebia era vassalo, com obrigações mútuas e juramentos de fidelidade.

Nessa sociedade os estamentos ou camadas sociais eram estanques e não permitiam passar de uma camada social para outra. Os nobres eram a camada dos que lutavam, o Clero dos que rezavam e os servos eram a camada dos que trabalhavam. Os servos trabalhavam nos feudos. Nas vilas ou povoados moravam os vilões, homens livres que viviam nesses feudos e deviam obrigações aos suseranos. A camada dominante dos nobres e o clero possuíam as terras, o poder político, militar e jurídico. O alto clero se compunha do Papa, arcebispos e bispos e o baixo clero de padres e monges. A alta nobreza de duques, marqueses e condes e a baixa nobreza de viscondes, barões e cavaleiros.

Os feudos eram isolados e produziam o necessário para a sobrevivência e consumo próprio. Os senhores submetiam os vassalos aos trabalhos no campo e lhes davam proteção, soldados e armas, em troca de serviços e lealdade. Os servos dependiam desses senhores feudais e lhes entregavam produtos que cultivavam, suas terras e serviços aos seus protetores, numa forma de escravidão mais amena, que passava dos pais para os filhos, perpetuando uma relação de dependência e proteção.

Os vassalos pagavam aos senhores taxas e impostos. Havia o “manso senhorial” - um terço das terras do feudo de uso exclusivo dos senhores onde os vassalos pagavam uma taxa de corveia para trabalhar. Das terras em que os camponeses trabalhavam - o manso servil - parte da produção também iria para o senhor feudal – essa era a talha, taxa que os vassalos tributavam ao senhor feudal. Outra taxa era a banalidade, imposto cobrado para que vassalos pudessem utilizar fornos e moinhos controlados pelos senhores. Ainda as taxas per capita (“por cabeça”) relativas ao número de servos que moravam nos feudos – chamada de capitação. E o imposto da “mão morta”, após a morte de seus pais, porque os servos herdavam a servidão e ainda pagavam por isso se quisessem continuar servindo ao mesmo senhor.

Os homens livres que viviam nos feudos, moradores das vilas e pequenos povoados, eram os vilões, pessoas pobres que trabalhavam no manso senhorial mediante o pagamento da taxa de corveia, além de terem o direito de plantar e colher em suas vilas. Esses vilões pagavam mais um imposto – o censo: que se baseava no número de pessoas que constituíam essa população, único tributo pago em dinheiro; os demais eram pagos com serviços ou produtos agrários. No feudalismo, os pobres se tornavam servos ou vassalos de senhores feudais, ou suseranos. Suas relações de proteção e servidão, de lealdade e serviço, também aconteciam entre os nobres, entre senhores mais e menos ricos, onde senhores menos poderosos serviam a senhores mais ricos e de maior prestígio.

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