Teoria da História

Segundo Barros, no século XVIII, as ‘filosofias da história’ ganharam maior importância em sua produção, e ao longo do século XIX foram fundamentais para a emergência da Teoria da História. Isto se deve ao estabelecimento de condições epistemológicas para que sejam trazidas para o centro da discussão historiográfica as questões teóricas, ao lado das questões metodológicas.

Conforme Marques de Mello, a teoria da história teria uma expressão usada para casos distintos, sem distinção de casos. A polissemia da expressão teoria da história provém menos das noções relativas de teoria, do que dos significados possíveis que a palavra história pode tomar.

Quando Marques de Mello usa a palavra teoria para se referir ao modo de compreender, sistematizar ou interpretar por meio de documentos, que estabelece determinados padrões, conceitos ou princípios entre si a fim de entender, descrever e/ou explicar o objeto da observação. Mesmo que seja rigoroso e impessoal com sua forma de análise, a formulação de uma teoria sempre ocorre a partir de determinados valores, ideias e percepções do sujeito observador, o qual está inserido em um tempo, espaço e circunstâncias específicas. Para Marques Mello, a elaboração de uma teoria, oriunda da relação entre sujeito e campo de observação, não é dada, mas construída mutuamente de modo circular.

De acordo com Marques de Mello, a palavra história possui significações que são marcadas pelo tempo, e dizem respeito às relações das pessoas com o passado, presente e futuro. Dentre as diversas definições de história que se pode designar são estas:

  1. Uma disciplina ou ciência praticada pelos historiadores;
  2. Ações humanas no tempo,
  3. historiografia;
  4. Uma narrativa que pode ter ou não verossimilhança.

Nestes significados de história a teoria da história pode se utilizar da primeira e da segunda interpretação. Já a terceira acepção, historiografia, pode ser considerada o desenvolvimento da história enquanto disciplina, pois não existe escrita da história sem a reunião de operações e procedimentos disciplinares.

A partir do primeiro significado da palavra história, como disciplina, esta é praticada pela comunidade de historiadores. Desta forma, a compreensão de história relativa disciplina proporciona significado para o termo teoria da história como o estudo ou um modo de compreender os mecanismos de elaboração, distribuição, recepção e legitimidade de um conhecimento histórico acadêmico aceito como relevante entre os praticantes do ofício.

No segundo caso, em que se interpreta histórica como ações dos homens no tempo, pode-se traduzir a expressão teoria da história não mais como finalidade de disciplina ou área de conhecimento, mas para evidenciar fatos, eventos e atos de âmbitos variados. Desta interpretação de teoria da história atribui-se às interpretações possíveis acerca da história em si, que pode estar em duas categorias: filosofias da história e as teorias sobre aspectos específicos da história, ou seja, desde as teorias sobre globalização a teorias sobre da divisão atômica, ou mesmo que designe formas de compreensões de mundos individuais ou de grupos sociais. Esta tem em comum o esforço em teorizar a respeito de fenômenos da história em seu acontecer e sua diferença está na perspectiva.

Desta maneira, Marques de Mello delimitou e descreveu três significados possíveis de teoria da história. O primeiro significado de teoria da história se direcionava à prática de teorizar o conhecimento produzido pelos historiadores, assim como Hayden White, Certeau e Rüsen. O segundo designa-se à filosofia da história, realizado, por exemplo, por Marquês de Condorcet, Hegel e Marx. O terceiro refere-se ao que Marques de Mello denominou como teorias pontuais da história representadas por Ginzburg, Koselleck e Foucault.

Esta área é vasta de perspectivas e entendimentos. Assim, este texto demostra alguns apontamentos sobre teoria da história.

Bibliografia:

BARROS, José D'Assunção. “Teorias da História” e “Filosofias da História”: Considerações sobre o contraste entre dois espaços de reflexão sobre o fazer histórico. Anos 90 (Online) (Porto Alegre) , v. 19, p. 367-400, 2012. Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/anos90/article/view/15756.

MELLO, Ricardo Marques de. O que é Teoria da História? Três significados possíveis. Historia & Perspectivas (UFU) , v. 46, p. 365-400, 2012. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/historiaperspectivas/article/view/19457

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