Aliteração

Por Paula Perin dos Santos
A aliteração é  a figura de linguagem que consiste na repetição de determinados elementos fônicos, ou seja, sons consonantais idênticos ou semelhantes. Veja um exemplo neste verso de Caetano Veloso:

“Acho que a chuva ajuda a gente se ver”.

Observe que o eu lírico dispôs nesta seqüência sons de natureza fricativa: /ch/ (surdo), /j/ e /g/ (sonoros). Para produzir esses sons, usamos o palato (céu da boca).

Agora observe estes versos que compõe a coletânea “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles:

“Olha a bolha d’água

no galho!

Olha o orvalho!”

Nesses versos, a repetição é do fonema constritivo palatal /lh/. Essa figura de linguagem é bastante utilizado por Cecília como recurso para alfabetização. Os poemas, vistos como uma brincadeira, despertam, através do efeito lúdico da arte, o poder intelectual da criança.

“Ah! Menina tonta,

toda suja de tinta

mal o céu desponta!

(Sentou-se na ponte,

muito desatenta...

E agora se espanta:

Quem é que a ponte pinta

com tanta tinta?...)

A ponte aponta

e se desaponta.

A tontinha tenta

limpar tinta,

ponto por ponto

e pinta por pinta...

Ah! a menina tonta!

Não viu a tinta da ponte!

(Tanta Tinta – Cecília Meireles)

Neste caso, Cecília apropriou-se da consoante linguodental /t/ e da bilabial /p/ para compor esse poema. Quando a aliteração ocorre com a finalidade de imitar o som dos seres, temos também um caso de onomatopéia.

REFERÊNCIAS
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.58.
Literatura em Minha casa: Meus primeiros versos. Vol. 4. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2001.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 406
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.