Clímax ou Gradação

Por Paula Perin dos Santos
Leia este trecho da obra de Machado de Assis:

“Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião, uns cingidos de luz, outros ensangüentados (...)”.

Observe que as idéias dispostas nesse texto estão organizadas seguindo uma ordem progressiva, ou seja, de uma menor proporção para uma maior.

Agora veja esse outro exemplo, retirado da obra de Monteiro Lobato:

“Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.”

Observe que as idéias continuam dispostas numa mesma ordem progressiva, só que agora segue uma proporção decrescente. Em ambos os casos ocorre a gradação, figura de linguagem que consiste em organizar uma seqüência de palavras ou frases no sentido de intensificar progressivamente uma determinada idéia.

O nome clímax é também dado a essa figura de linguagem em virtude de ela se dispor da mesma maneira do “clímax” enquanto característica do romance, momento de maior tensão da narrativa, que antecede o desfecho. Alguns gramáticos consideram que, quando a gradação ocorre de maneira decrescente, configura-se o “anticlímax”.

Outros casos de onde ocorre a gradação:

“Ninguém deve aproximar-se da jaula, o felino poderá enfurecer-se, quebrar as grades, despedaçar meio mundo”. (Murilo Mendes)

Fontes
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 407.
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.