Onomatopeia

Por Paula Perin dos Santos
Leia esses versos de Jorge de Lima:

“(...) foguetes, bombas, chuvinhas,
chios, chuveiros, chiando,
chiando
chovendo
chuvas de fogo
chá – Bum?”

Observe que o eu lírico construiu o sentido do poema explorando palavras cujo som dos fonemas lembra a coisa representada. Ou seja, o que acontece nesses versos é a imitação, por palavras, do som natural das coisas. Chamamos essa figura de linguagem de onomatopeia.

Veja outros exemplos:

“E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano.” (Machado de Assis)

“Passa tempo
Tic-tac
Tic-tac
Passa hora chega logo
Tic-tac
Tic-tac
E vai-te embora
Passa tempo
Bem depressa
Não atrasa
Nem demora (...) (Vinícius de Morais)

“E tia Gabriela sogra grasnadeira grasnou graves grosas de infâmia.” (Oswald de Andrade)

Neste último exemplo, a repetição do som das letras “gr” imitam o som que expressa “raiva”, enfatizando assim o sentido que as palavras pretendem transmitir.

Exemplos de palavras onomatopaicas:

Atchim – espirro.
Piu-piu: canto do passarinho
Din-don: o som da campainha
Tibum: o som de alguém caindo
Buá: o choro de alguém
Snif: fungado.

Fontes
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.39-40.
PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 102.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 407.
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.