Pragmática

Por Roseliane Saleme
A pragmática foi analisada em 1977 como o lado concreto da linguagem, ou seja, vendo-se como os usuários e usuárias de uma língua a usam em sua prática linguística por um lado e por outro o estudo das condições que governam essa prática. Estuda-se primeiramente o uso da linguagem, partindo-se dos estudos de Saussure que defende que a língua é objeto de estudo da Linguística e a Pragmática leva em conta a fala, a língua em uso.

Estuda-se então a sociedade e sua comunicação, como a linguagem funciona nas trocas de linguagem entre seus usuários. Pode-se afirmar que esse estudo é ainda relativo aos problemas relativos ao uso da linguagem. Os estudos de Peirce, que fez um trabalho prolongado para explicar a teoria do signo, definiu e subdividiu suas explicações em dez classes principais. Seus principais seguidores foram William James e Charles W. Morris,e este fundamenta a doutrina da ciência unitária, ao passo que James inaugura o que ficou conhecido como o Pragmatismo americano, ficando mais tarde seus estudos vinculados às aplicações práticas voltadas para a ação. Relativiza a noção de verdade ao atingir o discurso sobre a possibilidade de conhecimento de fato.

Uma das discussões entre diversos estudiosos dos assuntos linguísticos tem a ver com a formulação gramatical das frases, quer dizer, a maior preocupação seria os falantes de uma língua expressarem-se de acordo com as normas gramaticais vigentes e que não poderiam incorrer em construções gramaticais que fosse mal formuladas, o que converteria a Pragmática em um “depósito de todo tipo de considerações extragramaticais e dos efeitos desses fatores na forma gramatical e léxica”.

Segundo a Pragmática o contexto dentro do qual a comunicação foi efetivada influi na compreensão do enunciado emitido, assim se uma pessoa diz à outra: Como está frio aqui se pode entender pelo contexto um pedido para que a janela seja fechada. Isso vai depender das condições que de domínio da linguagem do interlocutor dessa pessoa. Quem estuda os atos de fala é Searle, que segundo ele são unidades da comunicação linguística e se realizam de acordo com regras. No exemplo acima a frase conota o ato linguístico de pedir e o ouvinte pode ser capaz de fazer o que é pedido, como regra constitutiva.

A Pragmática, a Sociolinguística e a Análise da Conversação estudam a comunicação linguística na complexidade de seus contextos, sendo que a Pragmática trabalha com enunciados construídos e se concentra no estudo dos processos de inferência pelos quais compreendemos o que está implícito.

Fonte:
PINTO, J.P. Pragmática. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. (orgs.)  Introdução à Linguística. São Paulo: Cortez, 2004.