Clássicos de William Shakespeare

Romeu e Julieta

William Shakespeare. Fonte: Wikimedia Commons

William Shakespeare. Fonte: Wikimedia Commons

Este clássico da literatura universal vem há séculos seduzindo gerações de leitores apaixonados, que encontram nas páginas tecidas pelo inglês William Shakespeare uma das mais belas e trágicas histórias de amor de todos os tempos. A história de Romeu e Julieta praticamente transformou-se em um arquétipo da psique humana. Na cidade de Verona, na época do Renascimento, duas famílias tradicionais, os Montecchios e os Capuletos, cultivam uma intensa e insustentável inimizade que já remonta a vários anos. Independente desta rivalidade, Romeu e Julieta, filhos únicos destes poderosos clãs, se apaixonam e decidem lutar por este sentimento. Esta tragédia shakespereana, elaborada entre 1591 e 1595, não é significativa apenas por enfocar o amor proibido entre dois jovens na Verona renascentista, mas também por denunciar a hipocrisia e as convenções sociais, os interesses econômicos e a sede de poder, elementos que engendram inevitavelmente a intolerância e condenam o sentimento nobre que brota dos corações de Romeu e Julieta.

Hamlet

Hamlet, o Príncipe da Dinamarca, obra dramática shakespeariana mais adaptada e encenada nos palcos de todo o mundo, é hoje uma das mais importantes e renomadas tragédias do dramaturgo inglês William Shakespeare. Ela foi provavelmente escrita entre 1599 e 1602, mas não há até hoje uma data comprovada da gênese deste clássico da dramaturgia. Tendo como cenário a Dinamarca, mais precisamente o castelo de Elsinor, esta peça traz sua versão do destino do Príncipe Hamlet, obrigado a empreender um drástico ato de revanche contra seu tio Cláudio, acusado de assassinar o pai do jovem para tomar o poder, depois de desposar a cunhada. O órfão, porém, não apresenta nenhuma inclinação para cometer tal crime, que deveria ser meticulosamente planejado e calculado, exigindo um sangue-frio de que o nobre não dispõe. Sua posição, no entanto, o leva a se sentir na obrigação de percorrer este caminho sem volta. Este ponto propicia uma das várias interpretações a que esta rica história dá margem, a que aborda justamente os dilemas éticos e morais de Hamlet, que supostamente justificariam sua vacilação no momento de levar adiante seus planos.

Sonho de Uma Noite de Verão

Em uma bela noite, durante o verão, quatro jovens apaixonados se encontram e se perdem uns dos outros em um bosque encantado. Lisandro e Hérmia se amam, mas ela também conquistou o coração de Demétrio, por quem Helena cai de amores. Logo em seguida, em virtude de feitiços e ações ardilosas mal realizadas, tudo se inverte. Demétrio passa a corresponder aos sentimentos de Helena, mas esta é agora disputada por Lisandro, alvo da paixão de Hérmia. Ao amanhecer tudo volta ao normal e é realizado um triplo matrimônio, pois o Duque de Atenas e a Rainha das amazonas também decidem se unir. Nas comemorações destas cerimônias um grupo teatral de amadores apresenta outra historia, ensaiada justamente durante a noite em que os casais foram trocados, e ambientada em um bosque repleto de fadas e duendes liderados por um Rei e uma Rainha que travam entre si uma contenda pela posse de um garoto indiano.

A Tempestade

A última obra teatral de Shakespeare, a grandiosa A Tempestade, de 1611, é vista pelos críticos como um de seus trabalhos mais singulares. Ela narra uma trajetória dolorosa, vivida pelo aristocrata Próspero e sua filha Miranda, que são obrigados a deixar o lar, por motivos políticos, e a buscar abrigo em uma pequena ilha. Nesta aventura eles contam com o auxílio de um amigo e da Providência de Deus. Neste recanto selvagem, eles se deparam com um ser primitivo, monstruoso, a própria imagem dos instintos bestiais, Caliban, desprovido das virtudes que poderiam levá-lo a ser representado como um herói. Contraposto a ele, Próspero é o símbolo da civilização, da concepção idealizada do ser humano, mais espiritual que material, o emblema perfeito dos mais elevados desejos da Humanidade. A história se desenrola em pelo menos dois planos. No primeiro, o autor revela os esforços de pai e filha para garantirem a existência neste lugar repleto de surpresas. Ao mesmo tempo, revelações inusitadas e arrebatadoras têm como cenário esta terra estranha. A segunda direção assumida pela trama demonstra como os dons intelectuais e místicos de Próspero e Ariel se mesclam e, em conjunto, geram um naufrágio.

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