Poesia Francesa

A poesia medieval francesa surgiu por volta do século XI, na forma das Canções de Gesta. A Chanson de Geste é uma poesia de caráter épico, própria da era medieval, que expressa as histórias dos heróis desta época, suas peripécias heróicas. Estas narrativas podem ser divididas em três grupos – francês, bretão e clássico. O período francês engloba os feitos de natureza religiosa, e seu personagem principal é Carlos Magno, ícone do Cristianismo. Desta safra, o principal poema é A Canção de Rolando.

A era bretã se sustenta sobre as lendas celtas. Seu criador mais famoso foi Chrétien de Troyes. Já o ciclo clássico ou antigo é o menos criativo, dele remanescendo o Romance de Alexandre. Os poemas eram cantados pelos bardos ou poetas sagrados, uma das três categorias do universo sacerdotal celta-gaulês, integrantes da ‘Ordem dos Druidas’ – as outras eram preenchidas pelos Druidas e pelos Adivinhos.

Nesta época disseminaram-se também os ‘fabliaux’, a literatura de natureza satírica, o teatro do século XIII, e uma produção histórica. O melhor poeta deste período foi François Villon, que teve sua fama estendida até o século XX, uma vez que realizou a transição da poesia medieval para o apogeu do classicismo.

No Renascimento – momento fértil das artes, das ciências e da literatura, vigente na Europa entre a Baixa Idade Média e o princípio da Idade Moderna – o homem torna-se o centro de tudo, ao contrário da época medieval, na qual Deus era o núcleo da existência. Os temas inspiradores são encontrados na produção da Antiguidade greco-romana. A fonte dos conhecimentos é a própria Natureza, e dela brotam até mesmo os princípios morais adotados neste período, séculos XV e XVI.

Neste contexto, surgem os poetas franceses reunidos em torno do mestre Pierre de Ronsard, conhecidos como La Pléyade, e a lírica de Joachim du Bellay, que prepara o terreno para o advento do Classicismo. Os textos satíricos de François Rabelais refletem a idéia renovada de Humanismo, ao mesmo tempo em que Michel de Montaigne revela-se o modelo por excelência do humanista culto.

Rabelais, ao empreender sua jornada França adentro como padre, conhece as lendas, os dialetos e os hábitos que irão marcar sua obra. Posteriormente, deixa a carreira eclesiástica e torna-se médico. Seu épico mais famoso imortaliza as figuras de Pantagruel e Gargântua, criticando através deles as trevas culturais da Idade Média.

Durante o Período Clássico, a França conhece o talento de François de Malherbe. Graças ao famoso salão da marquesa de Rambouillet e à estatização da Academia Francesa, este autor e suas concepções se tornam populares. Na dramaturgia, destacam-se Pierre Corneille e Jean Baptiste Racine nas tragédias, e Moliére na comédia. Jean de La Fontaine também se imortaliza nesta época, enquanto um dos maiores narradores de fábulas da literatura universal.

Durante o século das luzes surge o nome que, ao longo da História, mais traduzirá o Iluminismo francês, Voltaire. Denis Diderot, por sua vez, cria a Enciclopédia, enquanto Montesquieu sistematiza O Espírito das Leis, que marcará decisivamente a mentalidade política do mundo moderno. No romance desfilam os nomes de Antrine François Prévost, Pierre de Marivaux e Pierre Choderlos de Laclos. Na poesia, o nome mais ilustre foi o de André Chénier. O filósofo Jean Jacques Rousseau, por sua vez, caminha na vanguarda, semeando os ideais revolucionários e as sementes do Romantismo.

O Romantismo nasce no século XIX, pelas mãos dos romancistas Madame de Staël, Alphonse de Lamartine, Victor Hugo, Théophile Gautier, Georges Sand, e dos poetas Alfred de Vigny, Alfred de Musset e Charles Nodier, bem como de Pierre Jean de Béranger. No movimento romântico, o ideal racionalista rouba do mundo seu encantamento, o vínculo com o sobrenatural, e agora resta aos jovens românticos desbravarem o universo desconhecido do inconsciente.

Os românticos acreditam profundamente no reencantamento da realidade, em uma imagem do Homem que não é só razão, mas sentimento, desejo místico, atração pela Natureza. Este ser tem em seu íntimo uma vida interior a ser revelada, que age sobre os românticos com um magnetismo sem par, atraindo-os para o seu núcleo com a voracidade típica do que é novo.

No Realismo, cabe a Honoré de Balzac realizar a passagem entre o período romântico e o realista, que também conta com Stendhal, Gustave Flaubert e Prosper Merimée. Sua ênfase se dá na vertente prosaica, enquanto a poesia vivencia o parnasianismo e o simbolismo.

Enquanto os parnasianos Leconte de Lisle, Sully Prudhomme e José de Heredia retomam os ideais clássicos em oposição ao Romantismo, Charles Baudelaire, polêmico e revolucionário poeta francês, autor de Flores do Mal, marca a obra dos autores simbolistas, também conhecidos como decadentistas, como Paul Verlaine, Henri de Régnier, Stéphane Mallarmé, Jules Laforgue, entre outros. O poeta mais famoso deste período foi Arthur Rimbaud. Baudelaire rompe com a tradição, subverte a poesia francesa e abre espaço para o Simbolismo.

Em fins do século XIX tem lugar o Naturalismo, que tem em Émile Zola seu maior discípulo e criador. Além dele, destaca-se Guy de Maupassant nas narrativas breves.

Na literatura francesa do século XX destacam-se nomes como os dos romancistas Marcel Proust, André Gide e Romain Rolland. Na poesia, despontam Paul Valéry, Paul Claudel, Pierre Jules Théophile Gautier, Jean Cocteau. Nos anos 40 é criada a corrente filosófica conhecida como Existencialismo, no qual se projetam os nomes de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir; nesse mesmo período Albert Camus brilha na ficção. Na década de 50 surgem o Antiteatro e o Teatro do Absurdo, sob a maestria de Eugéne Ionesco, Samuel Beckett e Jean Genet. Também nasce, neste mesmo momento, o nouveau roman, com as obras de Nathalie Sarraute, Claude Simon, entre outros. Seguem-se nos anos 60 o estruturalismo de Claude Lévi-Strauss e Roland Barthes, e a Desconstrução de Jacques Derrida.

Fontes
http://www.historiadomundo.com.br
http://www.clube-de-leituras.net
http://www.mallemont.redel.com.br